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O governo português, na voz do ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, considerou as medidas tomadas para combater o foco de Covid-19 em Reguengos de Monsaraz adequadas, já que o foco está identificado. “As medidas definidas pela autoridade de saúde pública, tendo em conta a circunstância específica deste caso, estão a se tomadas em articulação com o município e são aquelas que consideramos ser mais adequadas”, disse Cabrita que considera que Portugal e Espanha têm “sido um exemplo a nível europeu na articulação e articulação entre os governos”.

O elevado número de infectados e mortos nesta vila está a preocupar as autoridades do outro lado da fronteira e os autarcas de Villanueva del Fresno e Valencia del Mombuey pediram o encerramento do posto que liga Elvas a Badajoz para conter possíveis infecções em território espanhol. “Solicitamos que sejam iniciados com urgência os procedimentos de encerramento das fronteiras e postos fronteiriços que se encontram nas nossas áreas municipais, permitindo a passagem apenas aos trabalhadores transfronteiriços que, por motivos de força maior, o devam fazer diariamente”, é o que pode ser lido numa carta enviada à Delegação do Governo espanhol na Estremadura. Este encerramento ocorreria pelo menos até não haver um protocolo específico entre os dois países para combater o Coronavirus.

O autarca de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, garante que existe uma total colaboração entre todas as entidades envolvidas no combate ao vírus e que enviam diariamente os dados para a DGS. Devido ao trabalho realizado, Calixto não compreende o pedido de encerramento de fronteiras pedido pelos seus colegas espanhóis mas admite que pode haver alguma troca de informações. “Se há momento em que não faz sentido falar dessa medida é agora, que deixou de haver novos casos na comunidade e todos os casos detectados nos últimos 10 dias já estavam previamente confinados”, comentou o presidente da câmara.

Lar de idosos preocupa

O foco destas infecções começou num lar de idosos. Em Reguengos de Monsaraz, onde foram feitos 2.000 testes, existem 131 casos activos. 85 são de pessoas desta residência (entre utentes e funcionários), 46 são de pessoas da localidade que contactaram com infectados e 16 pessoas perderam a vida. Mesmo com estes números elevados e vários serviços fechados (com a devida higienização), a possibilidade de cerca sanitária não é cogitada, de momento. As autoridades de saúde consideram este caso em “resolução” pois não existe, até ao momento, mais cadeias de transmissão conhecidas.

Toda a situação no lar fez com que a Ordem dos Médicos lança-se um apelo para que haja “uma acção urgente” a nível judicial para proteger os doentes já que as atitudes tomadas não têm sido as mais correctas. O edifício do lar já foi desinfestado e para apoiarem os médicos e enfermeiros de serviço a este espaço, um corpo militar está presente no lar da vila alentejana que fica a apenas 35 kms da fronteira.

Ao dia de hoje, existem 302 novos infectados (o que perfaz um total de 46 512 casos) e 2 mortos.