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Portugal é o destino escolhido para a primeira viagem internacional de Úrsula Von der Leyen como presidente da Comissão Europeia, cargo que ocupa desde Dezembro de 2019. Durante dois dias, Von der Leyen visitou o instituto Ricardo Jorge (valência que está na linha da frente no combate a Covid-19) e encontrou-se com Marcelo Rebelo de Sousa na Cidadela de Cascais e fez parte do Conselho de Estado, onde se debateu a actual situação e o futuro da Europa.

Já com António Costa, a reunião decorreu na Fundação Champalimaud. Neste encontro, que foi apadrinhado pela presidente da Comissão, Costa apresentou o rascunho daquele que será o «Plano de Recuperação e Resiliência» (PRR).

Portugal quer ser um dos primeiros países a ter este plano aprovado para poder aceder aos fundos já no início de 2021.

Duas novas pontes com Espanha numa oportunidade única

Um dos objectivos do plano de recuperação é aumentar e desenvolver o potencial económico da «Raia» e para tal, o governo português vai propor a Bruxelas a construção de duas novas pontes, uma entre Sanlúcar de Guadiana e Alcoutim e outra sobre o Rio Sever (está prevista a ligação Nisa — Ponte Internacional de Cedillo). Estas pontes, assim que construídas, estarão sempre abertas. Também haverá novos investimentos, tanto no IC2, que liga Bragança a Puebla de Sanabria, como no IC31 com uma nova ligação para Moraleja. Todo este investimento, da parte de Portugal, não vai passar dos 102 milhões de euros.

O PRR, que está orçado em 13,1 mil milhões, terá outras medidas, como: mais de 8.000 camas de cuidados integrados e paliativos; um fundo de 1.250 milhões que servirá para garantir habitação a 26 mil famílias; eléctrico rápido em Loures e um autocarro autónomo no Porto ou onze novas estações de tratamentos de lamas.

No encontro com Von der Leyen, o primeiro-ministro anunciou que quer recuperar economia sem empréstimos a pesar na dívida pública, que vai em 133.8% do PIB, e como tal vai abdicar dos 15,7 mil milhões de euros em empréstimos da União Europeia. Estes fundos não serão usados até a situação do país melhorar.

Para António Costa, este plano é uma excelente «janela de oportunidade» para a recuperação da economia portuguesa, que ficou abalada com a pandemia da Covid-19.

Úrsula Von der Leyen reforçou a sua solidariedade com Portugal e garantiu todo o apoio da Europa na recuperação da economia para uma realidade mais verde e digital. Também relembrou que o país será um importante beneficiário do programa «NextGenerationEU» e do fundo de recuperação. A presidente da Comissão, que relembrou a responsabilidade e a resistência que os portugueses têm vindo a demonstrar na luta contra o vírus, elogiou o governo pela medida histórica ao atribuir cidadania temporária aos migrantes e aos refugiados, para que assim tivessem acesso à Segurança Social e ao Serviço Nacional de Saúde.

Navegando para o futuro

Sobre a presidência portuguesa da UE, que inicia-se no primeiro semestre de 2021, Von der Leyen aguarda «bons resultados» da mesma e acredita que o país poderá indicar o rumo certo para a transição energética e digital tão aguardada. Semelhante, como relembrou, ao que os portugueses fizeram durante séculos e que foi iniciado com o início das «Descobertas». «Não há um país melhor para nos guiar na tempestade e para embarcar no nosso futuro», reafirmou Úrsula Von der Leyen.