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Treze semanas depois do encontro em Elvas e Badajoz que marcou a reabertura de fronteiras, o presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa e o rei Felipe VI de Espanha voltaram a reunir-se, desta vez na Galiza.

O terceiro encontro entre os dois chefes de estado ibéricos aconteceu devido a presença de ambos na II Edição do Fórum de «La Toja» — Vínculo Atlântico 2020, que discutiu os efeitos que a pandemia está a ter nos diferentes níveis da vida da sociedade. Para além de Marcelo, neste Fórum, que pretende ser um evento de referência no debate intelectual e académico, também vão participar Carlos Moedas e Bruno Maçães.

Na ilha de «A Toxa» (província de Pontevedra), onde chegou acompanhado pelo rei, o presidente de Portugal apontou o dedo a comunidade internacional. «A comunidade internacional falhou. Falhou ao descobrir a pandemia tarde de mais. Falhou ao mudar de posição sobre a pandemia várias vezes. Falhou quando grandes poderes do mundo decidiram actuar sós, sem colaboração, com egoísmo, com isolacionismo, dando mau exemplo àquilo que devia ser o multilateralismo perante um problema comum», referiu Marcelo Rebelo de Sousa num discurso feito em castelhano e português e também apontou as mudanças que estão a existir na geopolítica internacional, onde estamos a assistir a um crescimento de pólos (os «blocos» americano, chinês e russo fazem lembrar a situação vívida na Guerra Fria) mas que não está a ser acompanhado pelas diferentes instituições internacionais, destacando-se aqui a União Europeia e a futura presidência portuguesa da mesma.

Até ao momento, todas as visitas de estado de Marcelo Rebelo de Sousa têm sido a território espanhol. Antes da presença no Fórum «La Toja», o rei de Espanha e o presidente da república portuguesa tiveram um encontro em privado e que reforça o actual momento das relações luso-espanholas.