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Estamos, mais um ano, no dia da marmota. Pela segunda vez consecutiva vamos cometer o mesmo erro, com muitas feministas a assistir às manifestações do Dia da Mulher, mesmo diante das mensagens contraditórias do governo, que primeiro encorajou a participação durante uma semana depois para anunciar, pela voz da porta-voz, Maria Jesús Montero, e da Ministra da Igualdade, Irene Montero, que garantem que nenhum membro do executivo comparecerá.

Data louvável e precisa em qualquer outra circunstância, nunca na situação em que nos encontramos.

Eles não poderão me rotular como antifeminista, pela simples razão de que eu não sou. Entendo o feminismo como direitos e deveres iguais entre os géneros masculino e feminino.

Fui educada nisso e acredito firmemente.

Ninguém é mais do que ninguém por usar órgãos genitais diferentes.

Tiro o chapéu para aqueles que me superam em inteligência, habilidade ou qualquer outra questão, entre os quais há homens e mulheres, todos seres humanos.

Este ano caminhamos, pela segunda vez, para o absurdo, para o grotesco. A Espanha é a pátria de tal movimento encabeçado pelo grande Vale Inclán.

Nunca na história foi possível estar tão informado e ao mesmo tempo apresentar tamanho grau de incongruência e pouca civilização.

Feminista, a favor da igualdade, não hembrista (feminazista), são coisas diferentes e que existe o ano inteiro, todos os dias.

O movimento se demonstra caminhando, educando, dando exemplo, trabalhando para erradicar a ignorância que, afinal, é o que leva ao absurdo.

Neste ano fatídico é um grotesco que se vê todos os dias, a todas as horas.

Parece que um instinto primordial como a sobrevivência abandonou muitos dos nossos compatriotas.

Negadores, loucos pela “plandemia”, como agora a chamam, de conspirações mundiais.

Discursos de festa, procurando os seus quinze minutos de glória, prestando um péssimo serviço aos demais cidadãos.

Dizem-nos que estão fartos, cansados, e compreendo, embora com algumas nuances, o que seria deles, e de nós, se vivêssemos numa Ibéria em guerra, bombardeada ou com falta de recursos essenciais, sem água ou comida?

Cansados por levar uma máscara, por não abraçar, por viajar, cumprir uma série de normas básicas que nos salvam, na medida do possível, a saúde e a vida.

Penso com tristeza que estamos imersos numa sociedade de jovens que reagem com acessos de raiva ao menor contratempo.

Barcelona é queimada pela prisão de um rapper, de quem muitos nem sabiam o nome. Entenderá que sou totalmente a favor da liberdade de expressão, porém, o pseudo-cantor tem outras contas a acertar com a lei, acusações que nada têm a ver com as suas letras incendiárias que apontam, magoam e visam pessoas específicas. Eu ia dizer que essa é outra história mas na realidade não é. É a mesma de sempre, a mesma melodia que se murmura há séculos por estas terras.

O mal-entendido, o confronto, a falta de sanidade, a educação, a vontade de melhorar. A mesma música que se ouve assim que se mergulha na nossa história.

Já comentava o grande Cervantes, na boca do seu fidalgo D. Quixote, o mais louco, o mais são dos mortais: “gente enorme e arrogante”.