As mulheres Ibéricas e as suas exigências

Comparte el artículo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

As mulheres ibéricas, independentemente das suas línguas ou rostos, são desde sempre uma das principais forças motrizes desta terra. Como todas as latinas, as ibéricas são ligadas a família e a tudo a que as rodeiam. Sempre prontas para tudo, as nossas mulheres têm-se destacado ao longo dos séculos. Na nossa história comum temos vários exemplos de mulheres importantes, como é o caso de Carlota Joaquina (rainha de origem espanhola que desposou D.João VI), Inês de Castro (aia de origem galega que se enamorou de D.Pedro e que foi a protagonista, a portuguesa, de uma história que nos faz lembrar Romeu e Julieta), Penélope Cruz ou Isabel de Castela (a mulher que mudou o rosto de Espanha) são apenas alguns rostos que ao longo dos séculos moldaram a face e continuam a moldar as sociedades portuguesas e espanholas. São forças motrizes que fazem os nossos países andarem para “a frente” e serem cada vez melhores e mais acolhedores.

No início desta nova década do século XXI, onde as mulheres começam a tomar cargos de posição e onde o movimento feminista tem cada vez mais importância, muito se foi feito mas ainda é necessário fazer muito mais (tanto na península ibérica como no mundo) para que algum dia cheguemos a uma paridade entre homens e mulheres. As mulheres latinas, especialmente as ibéricas, são cada vez mais formadas e independentes mas ainda têm o papel fulcral em casa. São as profissionais e as chefes de família que pedem mais apoio tanto em casa como da parte dos respectivos governos.

Quando falamos de mulheres em grandes cargos empresariais, e por mais que estejamos em grande força, estas são ainda poucas e, em Portugal, apenas um nome feminino se destaca nas empresas cotadas em bolsa no PSI-20 (bolsa de valores portuguesa), Cláudia Azevedo, da Sonae. E quando falamos de mulheres na política, e por mais que tenhamos a tal lei da paridade, estas ainda se contam pelos dedos das mãos. Isto tanto nas chefias como nas simples trabalhadoras de fábricas, que fazem o mesmo trabalho que os seus colegas masculinos mas mesmo assim ganham mesmo (a cortiça começa a mudar este paradigma).

O 25 de Abril e o fim da ditadura franquista trouxe-nos a tão desejada liberdade para sentir, fazer e pensar mas talvez ainda não a tínhamos conseguido alcançar em pleno. Talvez, e com muito pesar escrevo estas palavras, ainda existam pessoas de “primeira” e de “segunda”. O que muito gostamos de propagar nas nossas sociedades patriarcais são apenas palavras bonitas que de vez em quando vamos buscar aos nossos bafientos dicionários.

Então o que é necessário fazer para que tenhamos uma nova “onda” feminina? Quais são as demandas das portuguesas e das espanholas? Bem, para começar, num lado e no outro da fronteira pede-se uma igualdade a sério que sobreviva durante um ano inteiro e que não viva só num dia especial onde se oferecem flores e se dizem aquelas frases batidas que “mulher é vida”. Não deve só um simples dia de festa, deve ser um dia de recordação de tudo o que já conquistámos e do que ainda falta conquistar.

Em manifestações que encheram as capitais mundiais (talvez não tanto como em outros anos mas a culpa é toda do Covid-19), mulheres e homens de todas as idades e estratos sociais pedem uma maior luta contra situações de descriminação ou desigualdade no trabalho e, como é óbvio, zero aceitações de qualquer tipo de violência de género. Quando falamos de violência doméstica, um dos grandes males da nossa sociedade, Portugal continua a ter números que deveriam envergonhar os nossos governantes.

Já não estamos em 1950, onde era normal o senhor Zé, o marido da dona Maria, dar-lhe umas valentes “sovas”. Mas desde então muita coisa mudou, as oito horas de trabalho foram impostas e as mulheres enfermeiras começaram a casar-se, coisa que antes não podiam fazer. O mundo mudou mas se calhar não mudou assim tanto. Em 2019, 25 mulheres adultas morreram às mãos dos companheiros. Desde 2003, mil mulheres espanholas morreram devido a violência de género.

Por elas, e por todos nós, o caminho deve continuar a ser percorrido para que um dia tenhamos uma sociedade mais igualitária. Este parece ser um sonho quase impossível mas, e tal como dizia o poeta António Gedeão, “o sonho comanda a vida”.

 

Andreia Rodrigues é formada em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (ESCS) e é uma apaixonada por todas as formas de comunicação. Contar novas histórias e descobrir novas culturas é algo que move todos os dias.

Noticias Relacionadas

Como chegámos a uma «Tempestade Perfeita»?

O que é uma «Tempestade Perfeita»? Normalmente quando utilizamos esta expressão estamos a descrever um fenómeno meteorológico que foi criado graças a confluência de vários

Deixe um comentário