Começa uma semana muito ibérica e ibero-americana

Comparte el artículo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Se a semana passada teve episódios relevantes para a agenda ibérica, como a visita de Pedro Sánchez a Angola, nesta semana, mais especialmente nos próximos 10 dias, vão acontecer uma série de eventos repletos de conteúdo que vai impactar a opinião pública ibérica. Este é o calendário que temos para os próximos dias:

Na terça-feira, dia 13 de Abril, terá lugar a assinatura do convénio de colaboração entre o EL TRAPÉZIO e a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), apelidada de UNESCO ibero-americana. Ambas as organizações estão comprometidas com a difusão da língua portuguesa e com o método de intercompreensão como aprendizagem para uma comunicação efectiva.

Um dia depois, a 14 de Abril, o dia da proclamação da II República, cabe ressaltar, desde o ponto de vista iberista, o artigo 24 (título II) da Constituição de 1931 que outorgou a “cidadania aos naturais de Portugal e países hispânicos da América, compreendendo o Brasil, quando assim o solicitem e residam em território espanhol”. Dois dias depois, a 16 de Abril, também devemos lembrar os 400 anos das Cortes de Tomar. A 16 de Abril de 1581 as Cortes portuguesas de Tomar, no Convento de Cristo, reconheceram como rei do Reino de Portugal a Felipe II de Espanha, que se converteu em Filipe I de Portugal, unificando assim as coroas ibéricas (mas não os reinos), e indultando os opositores. Um rei espanhol que tinha alma portuguesa e que fiscalizou de forma cuidada o Conselho de Portugal com o compromisso dos 25 pontos de Tomar. De Felipe II não se pode dizer que tenha sido rei ausente porque entrou em Portugal, de Badajoz (por Elvas), a 5 de Dezembro de 1580, e despediu-se de Lisboa, a 11 de Fevereiro de 1583, para regressar ao El Escorial (Madrid). Assim, Felipe II estabeleceu as suas cortes e a capital de facto da monarquia hispânica em Lisboa durante a estadia de dois anos do soberano ibérico.

A historiografia portuguesa tende a uma interpretação, pelo menos no período inicial, de uma monarquia dual muito mais do que de um monarca dual com Felipe II no quadro de uma dinastia e de um sistema de monarquia hispânica. Por outro lado, esta ideia de dualidade, no sentido de equilíbrio entre as duas entidades políticas, tem um aspecto positivo como mais uma referência do iberismo actual. A Embaixada de Portugal em Madrid republicou um artigo sobre a visita de Felipe III a Portugal, saudada com arcos triunfais e pompa barroca. O autor do artigo é António Iraizoz Garcia, arquitecto urbano e pesquisador, cuja publicação original vem no blog Pessoas de Madrid.

Continuamos com o calendário deste fértil Abril ibérico. No dia 17 de Abril, são retomadas as reuniões por videoconferência do Fórum Cívico Ibérico, o primeiro espaço de debate a favor da aproximação dos dois países onde existe uma participação territorial equilibrada, entre Espanha e Portugal, incluindo um protagonismo para os raianos. Da mesma forma, a abertura da fronteira acontecerá provavelmente no fim-de-semana mas esta ainda não é uma decisão fechada.

Finalmente, a 21 de Abril vai ter lugar a Cimeira Ibero-americana em Andorra. Esse vai ser o momento onde os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Ibero-americana das Nações, que nasceu em 1991, e reúne em eventos de tipo empresarial os ministros dos negócios estrangeiros. A Cimeira contará com a assistência presencial dos chefes de Estado e de Governo de Espanha, Portugal, República Dominicana e a Guatemala, para além do país anfitrião (Andorra) e os que irão assistir por videoconferência.

O chefe do governo de Andorra, Xavier Espot, confirmou os mandatários que estarão presencialmente na Cimeira, que vai ser celebrada de uma forma mista de firma a pandemia. Para além de Felipe VI e do chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, em Andorra estarão o presidente e o primeiro-ministro de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respectivamente.

Também Alejandro Giammattei, o presidente da Guatemala, o país que organizou a Cimeira anterior, e Luís Abinader, da República Dominicana, que ficará com lugar da Andorra na organização da próxima Cimeira. Por parte da Andorra, o papel de anfitriões será desempenhado por Espot e os co-príncipes, o arcebispo da localidade catalã de La Seu d’Urgell (Lleida), Joan Enric Vives, e Patrick Strzoda, o delegado do presidente francês Emmanuel Macron, o outro chefe de estado do país dos Pirenéus. A participação presencial ficará a cargo da Secretária Geral Ibero-americana, a costa-riquenha Rebeca Grynspan.

Na opinião de Espot, a presença destes cinco países e a intervenção por videoconferência dos parceiros Ibero-americanos é uma solução “boa e bem pensada” para que a Cimeira não seja inteiramente virtual e que nela estejam igualmente representados países de diferentes lados  do Atlântico.

Portanto, a Cimeira Ibero-americana será a mais ibérica da sua história.

Noticias Relacionadas

Como chegámos a uma «Tempestade Perfeita»?

O que é uma «Tempestade Perfeita»? Normalmente quando utilizamos esta expressão estamos a descrever um fenómeno meteorológico que foi criado graças a confluência de vários

Deixe um comentário