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Fáceis e rápidas, independentemente da formação escolar e social, as raspadinhas, que estão disponíveis em território nacional desde 1995, têm, segundo os psiquiatras Daniela Vilaverde e Pedro Morgado, investigadores da Universidade do Minho e responsáveis por este estudo, um “potencial excessivo” e dificilmente regulado pelo governo ou Jogos Santa Casa.

Para os investigadores responsáveis por este estudo, estas apostas crescentes podem levar a um aumento nos casos mais graves de jogo patológico. Este aumento também se está a fazer sentir nos consultórios clínicos, já que cada vez mais pacientes tentam largar o “vício” de raspar com uma moeda um pedaço de cartão com esperança de ganhar algum dinheiro (os prémios mínimos começam nos 2€). Só que nesta demanda acabam muitas vezes por ficar com dívidas e consumir as poupanças de uma vida.

Os portugueses gastam em média 160€ por ano neste jogo. No que toca ao investimento feito em cada aposta, este costuma rondar os 14€. Mas também existem casos extremos de pessoas que gastam 500€. Em 2018, por dia, alcançaram-se gastos a rondar os 4 milhões de euros.

Na Europa, a Itália é o país europeu que mais gasta em raspadinhas e restante jogo instantâneo. No caso de Espanha, por ano, cada apostador gasta uma média de 14€, um número bem semelhante ao registado em Portugal.

Sobre estes resultados, que foram divulgados na revista The Lancet Psychiatry, o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desvalorizou e assegura que as vendas das raspadinhas decaíram ao longo dos últimos anos.