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A TAP está a passar por problemas já há algum tempo mas a crise provocada pela Covid-19 está a fazer com que várias transportadoras aéreas europeias a necessitarem de intervenções estatais. Com o apoio da União Europeia para que os governos pudessem intervir nas suas respectivas companhias europeias, o futuro da TAP levou a que o governo tivesse que intervir directamente para salvar 10 mil empregos. Apenas no primeiro trimestre, os danos económicos ascendem aos 365 milhões de euros.

A necessitar urgentemente de uma injecção de capital, o governo e os proprietários privados chegaram, após longas negociações, a um consenso sobre como este apoio deve ser feito. O ministro das infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, foi o primeiro a admitir a possibilidade de uma nacionalização da TAP, isto se as condições do estado não fossem aceites. Tudo para a poder salvar e «evitar um desastre económico» bastante prejudicial para o país e com um plano de ajuda imposto por Bruxelas e pronto a arrancar.

Que futuro para a TAP?

Em 2016, já no primeiro governo de António Costa, a TAP foi privatizada. Na altura, o executivo prescindiu dos juros de 30 milhões que tinha emprestado a companhia aérea que assegura a conexão entre o ponto mais ocidental da Europa com os quatro cantos do planeta.

A gestão privada da TAP tem sido bastante contestada nos últimos anos e já durante a pandemia foi levantada, pela região norte do país, a falta de investimento para com o aeroporto do Porto. Esta acusação de regionalismo fez com que a associação de comércio da «cidade Invicta» entrasse com uma providência cautelar em tribunal para tentar impedir que o governo prestasse qualquer tipo de ajuda a companhia aérea criada por Humberto Delgado (o «general sem medo»).

Ao adquirir o lugar de David Neelman (dono da transportadora brasileira Azul), o estado português gastou 55 milhões de euros para ficar com 72,5% do capital da TAP, assegurando um maior poder dentro da empresa que vai fazer com que a partir de agora o poder de decisão em aspectos como a criação de novas rotas, a demissão de funcionários ou a escolha de novos gestores (já que Antonaldo Neves deverá sair). Os restantes acionistas são: o português Humberto Pedrosa com 22,5% e os trabalhadores da companhia com 5%.

Após o anúncio da aquisição da TAP, o Conselho de Ministros aprovou uma injeção na empresa até os 1.200 milhões de euros para que a actividade, interrompida pela pandemia, possa voltar. A favor desta medida estão partidos como o Bloco de Esquerda, o PSD e o próprio sindicato, que defende uma reestruturação mas não despedimentos.

Este investimento na TAP está a assustar alguns sectores da sociedade que não conseguem ultrapassar o fantasma do “Novo Banco”. Desde que intervencionado já custou 11 263 milhões de euros. Mais de metade deste valor saiu do erário público. No caso da companhia aérea, o ministro das infra-estruturas considera esta acção (que não é uma nacionalização) essencial pois estamos a falar de um dos maiores exportadores nacionais, a que mais turistas traz para Portugal e geradora de 100 mil postos de trabalho indirectos em mais de  mil empresas nacionais.