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Em plena campanha eleitoral para a presidência da república, o candidato do Chega, André Ventura, lançou um conjunto de insultos aos seus colegas de pleito mas um deles não ficou sem resposta.

Após ter dito que Marisa Matias, eurodeputada e apoiada pelo Bloco de Esquerda, «não está muito bem em termos de imagem, de performance» e que pinta os lábios «como se fosse uma coisa de brincar», as redes sociais encheram-se de batom vermelho. Este é um acto simbólico pois no início do movimento sufragista, pintar os lábios era sinónimo de um acto de «rebeldia» contra o olhar patriarca vigente e que ainda «sufoca» muitas mulheres, dizendo o que elas devem vestir, dizer ou o que fazer.

Em Portugal, desde a revolução de 74, nunca houve uma mulher como presidente e apenas houve uma primeira-ministra, Maria de Lourdes Pintassilgo, que foi chefe de governo por um curto período de tempo.

Para Matias, as palavras do candidato do Chega não representam as mulheres mas sim o seu próprio carácter. Esta crítica de Ventura, que foi vista não só como um ataque a candidata mas a todo o género feminino, não está a passar impune e a hastag #VermelhoEmBelém está a correr as redes sociais, tanto em Portugal como em Espanha. Figuras públicas, anónimos e políticos têm demonstrado que a ultra direita não é apenas mais uma corrente de opinião e que apenas votando é possível combater estas ideias.

Algumas das figuras que se juntaram ao movimento #VermelhoEmBelém partilhando fotos suas de lábios vermelhos foram a também candidata Ana Gomes; a ministra da igualdade do governo espanhol, Irene Montero e Pilar Del Rio. A viúva de Saramago apelou que homens e mulheres pintassem os lábios de vermelho em sinal de liberdade e respeito pelo próximo, independentemente do seu género.