Especialistas da Sociedade Ibérica para a Conservação e Estudo dos Mamíferos alertam para a atual situação do lobo no território peninsular e apelam aos governos para que mantenham o atual regime de proteção legal destes animais. Este organismo junta entusiastas, especialistas e gestores de Portugal e de Espanha. Estes pedidos foram deixados num manifesto onde se lembra que «a população ibérica de lobo não tem assegurada a sua viabilidade a longo prazo». Os especialistas lembram que os dois governos devem trabalhar em conjunto, pois a população do lobo-ibérico é uma unidade populacional única que facilmente atravessa a fronteira.
No caso português, os dados mais recentes apontam para uma redução de 20% da área de presença do lobo-ibérico nas últimas duas décadas. Atualmente existem 58 alcateias, especialmente a norte do rio Douro (a sul existem apenas 6). O Governo de Portugal garante que, apesar de alguns Estados estarem a «afrouxar» a proteção ao lobo, «não haverá qualquer diminuição do seu estatuto de proteção». Atualmente, a espécie está classificada como «Em Perigo» em Portugal, onde a sua proteção está prevista na lei desde 1988.
Em Espanha, a espécie foi recentemente avaliada como «Vulnerável» na Lista Vermelha e existe uma população nacional inferior a mil indivíduos. Estes localizam-se, especialmente, no noroeste do país. A caça estava proibida, mas em 2025 a lei foi revista devido a preocupações sobre os impactos económicos no setor pecuário, uma vez que muitos lobos atacam animais de criação. Em Espanha, o lobo é apenas protegido em algumas comunidades autónomas. Uma das medidas propostas para estes casos é a agilização no pagamento das compensações caso um animal seja morto por um lobo. Isto visa reduzir o conflito e favorecer a tolerância em relação a esta espécie.


