Português e Espanhol: duas línguas, uma comunidade

Relatório feito pela OEI e pelo Real Instituto Elcano abordam a necessidade dos artigos científicos serem escritos em português e espanhol

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Quais os desafios que uma ciência feita em português e em espanhol enfrentam e a força que a intercompreensão existente entre os dois idiomas pode trazer foram duas das questões debatidas na apresentação dos primeiros dados do Relatório de Progresso feito pela OEI e o Real Instituto Elcano. O trabalho apresentado, e feito em período de pandemia, foca-se na importância que o português e o espanhol tem, especialmente, para a comunidade científica que tem no inglês a sua língua franca.

Quando se fala nas línguas portuguesa e espanhola, a primeira é a mais falada no hemisfério sul (no fim do século 500 milhões de pessoas vão falar português) e as duas juntas tem uma comunidade de 800 milhões de falantes, Ana Paula Laborinho, do OEI Portugal, defende que estas devem ser “línguas de ciência e de inovação”. “Não podemos construir um mundo dividido entre os ricos e os pobres em ciência”, disse Laborinho.

Angel Badillo, do Real Instituto Elcano, não compreende como “línguas com a importância do português e do espanhol não tem uma maior preponderância no trabalho científico”. Para o investigador, mudar esta situação e tirar um maior proveito das duas línguas mais importantes do século XXI “é um desafio ao alcance da comunidade ibero-americana. Basta por mãos a obra!”.

Os dois oradores coincidem na ideia de que se o português e o espanhol atuarem juntos têm mais força. Duas línguas, uma comunidade também será o mote para a próxima Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola, que este ano vai decorrer no Brasil.

Dos 7 milhões de artigos publicados nas maiores publicações a nível mundial (como é o caso da The Lancer), 72% são escritos em inglês e apenas 1% foi escrito em uma das duas línguas da iberofonia. A CPLP vai criar um repositório científico que vai abarcar tudo o que é feito em português.

Quando falamos dos países que mais investem na ciência, o Brasil (que é quem mais artigos em português produz), Espanha e Portugal são as nações que mais se destacam no trabalho realizado nesta área mas a investigação ainda é muito dependente do investimento público e os académicos tem um reduzido impacto na economia real.

A escrita de artigos científicos em inglês é para Bianca Amaro, presidente do La Referencia, uma forma de reduzir as nossas línguas e é necessário “deixar de nos espelhar em tudo o que o norte do planeta faz”. “Temos que nos fazer presentes mas é com as nossas condições”, reforçou Bianca Amaro.

“Com o inglês não se impõe só a língua mas também um discurso dominante que acaba por nos colonizar”, disse o dr. Reiner Enrique Hamel da Universidade Autónoma Metropolitana do México. “As ciências no mundo não se podem fazer em apenas 1 língua pois não vão abordar todos os problemas”, defendeu o académico.

Em Portugal, nos últimos 20 anos, o investimento em ciência triplicou e entretanto o país exporta mais do que importa na área da tecnologia. Quando falamos em empresas que são unicórnios (startups tecnológicas que são avaliadas em mais de mil milhões de dólares), cinco estão em território luso. Algo que é bastante importante não só em Portugal mas como em todos os territórios falantes de português e de espanhol é a ciência cidadã (que pode ser usada para combater a descrença que alguns tem a ciência) ou ciência aberta, que pode ser vista como um contraponto a necessidade de se pagar para publicar. Só na The Lancer, publicar um artigo cientifico custa 5 mil euros. Guzman Palacios, da AECID Espanha, apresentou a ideia de uma revista ibero-americana financiada com fundos públicos e onde os investigadores poderiam publicar nas suas línguas nativas sem a preocupação de pagarem pelos trabalhos feitos.

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