Seremos realmente independentes?

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Há 381 anos, no primeiro dia do mês de Dezembro, Portugal terminou com a dinastia Filipina e recuperou uma independência que tinha perdido sensivelmente durante 60 anos. Os séculos passaram e muita coisa mudou. Como encontramos Portugal em Dezembro de 2021? Será que podemos dizer que somos realmente independentes? E antes que continuem a ler este artigo, não façam julgamentos precipitados. O preconceito não é bom. Só no fim faça o seu raciocínio.

O mês de Dezembro, aquele em que trocamos prendas e fazemos a lista de desejos, começou com mais um feriado. Neste momento em que estamos todos em casa, voltou o nosso já conhecido Estado de Calamidade. Portugal volta a ter restrições a mobilidade devido a variante Omicron (os nomes são cada vez mais estranhos. Este faz lembrar um Transformer). A quinta vaga se tivesse uma cara seria, seguramente, a dos jogadores do B-Sad. 

Para quem não gosta muito ou não acompanha o futebol português, o jornal Marca apelidou esta como a «partida da vergonha». Ainda antes deste jogo tivemos mais um conjunto de buscas a alguns dos principais clubes e o sorteio para o play-off. A sorte claramente não está do nosso lado mas pelo menos parece que aos poucos a justiça começa a funcionar. Mas é mesmo devagarinho. 

Não podemos esquecer do Rendeiro que deu uma entrevista para a CNN Portugal onde disse que apenas voltaria ao país caso fosse indultado por Marcelo. Será que o bancário ainda vai a tempo de um perdão natalício? Eu, muito sinceramente, deixava-me ficar onde está pois o frio aqui aperta. Deve-se estar muito melhor na praia. E ainda por cima é num sítio onde se fala português. Eu aposto no Brasil ou Cabo Verde. Vocês tem alguma aposta?

Para vocês o que é uma vergonha? Eu tenho duas ideias, uma pública e outra privada. Na passada semana a política em Portugal viu Rui Rio a voltar a ganhar a presidência do PSD e o congresso do CHEGA. Se não me engano, este já é o quarto. Ao ver como está a vida política aqui em Portugal vejo cada vez mais pontos de encontro com Espanha. Já que estamos em período natalício e como adoro ler, aproveito para vos recomendar o livro que a Daniela Santiago escreveu sobre a ascensão da extrema-direita e a nossa própria obra (se forem muito queridos e comprarem muitos exemplares poderemos pensar numa nova edição onde, talvez, poderá entrar este artigo). Acreditem que ficaram com duas excelentes sugestões de leitura!

Voltando ao tema deste texto, nesta reunião Ventura disse o slogan: «Deus, Pátria, Família». O que tem de mal? Todos têm uma catchphrase, de Trump a Bolsonaro. No caso português, a gravidade é que Salazar já dizia esta frase. Por acaso, neste exato momento, esta matéria está a ser discutida na minha casa por causa do teste de história do 12° ano. Mas o que na minha casa e em muitas outras se sabe alguns esqueceram. O passado não deve ser esquecido, apagado.

Infelizmente os saudosistas do outro senhor ainda existe e para mim isso é uma vergonha. É triste para aqueles que lutaram para deitar o regime a baixo e criar a democracia onde vivemos. Pode não ser perfeita mas é nossa. É nela que vivemos todos os dias mas a história é cíclica. Aprender com os feitos do passado e lutar pela nossa liberdade e a nossa independência é o que devemos todos fazer, independentemente do ponto da península onde esteja.

Em cima falei sobre um aspeto mais privado que também considero ser uma vergonha. Estamos no mês do Natal e deve dizer que não me considero a pessoa mais natalícia. Para mim estas festas têm mais de consumismo do que de espírito de boa vontade e explico desde já o porquê. Já entraram numa loja? Se sim, porque se não deve estar a viver debaixo de uma rocha, deve ter reparado que a música que toca é de Natal. Muito provavelmente será uma da Mariah Carey. 

Neste mesmo período temos mais um peditório do Banco Alimentar. A verdade é que os portugueses, independentemente da crise e da pandemia, têm um grande espírito altruísta. Aqui a vossa escritora teve que ir às compras, já que ninguém vive apenas de letras (se elas vierem em sopa já é diferente). Na entrada do supermercado, ao lado dos escuteiros, estava uma senhora a pedir. Muito provavelmente seria do leste europeu. 

Passei por essa senhora por duas vezes e dentro daquele supermercado deveria estar umas quinze pessoas. Um pequeno grupo que compra descontroladamente não só devido às festas mas também por causa do Estado de Calamidade. Se antes esgotamos o stock de papel higiénico, desta vez o item mais comprado deve ser a água. Esta gente vai se alimentar só a beber água e a comer noodles, queijo e iogurte. 

No meio de toda esta gente, só vi uma senhora a dar uma moedinha a que estava a pedir sentada no chão. É assim a vida, vocês devem estar a pensar, mas não devia ser assim. Isto dá-me vergonha e faz-me pensar. Devia-nos fazer pensar a todos e em especial neste período. Será que somos mesmo independentes? Será que não somos apenas uns ratinhos de laboratório que continuam a correr na sua rodinha. Pensamos apenas no dinheirinho que temos na carteira e o amanhã fica para depois. O hoje passa pela tela do dispositivo tecnológico que usamos para trabalhar ou para relaxar.

A nossa história, a nossa independência, é escrita todos os dias e não há que ter vergonha. Olhemos para o futuro e façamos de tudo para proteger o nosso presente. 

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