Com pouco mais de um ano e duas moções de censura depois, o Governo da Aliança Democrática acabou por cair. Foi votada na Assembleia da República uma moção de confiança, proposta pelo próprio Governo, que foi rejeitada. Isto com os votos contra do PS, Chega, Bloco de Esquerda, PCP, Livre e PAN. PSD, CDS e Iniciativa Liberal votaram a favor da moção de confiança ao Governo.
A decisão de chumbo foi recebida com um silêncio de tumba no Parlamento. Para além dos partidos políticos, Marcelo Rebelo de Sousa vai ouvir, ainda esta semana, o Conselho de Estado, órgão meramente consultivo.
Para retirar a moção de confiança, que acabou por ser rejeitada, falou-se de um inquérito. Este iria focar-se em Luís Montenegro e a sua atividade laboral. Montenegro esteve na folha de pagamentos da Solverde mas o PSD durante a campanha eleitoral pagou a esta empresa.
Os socialistas consideram que o Governo usou a moção de confiança para condicionar uma futura Comissão de Inquérito (Comisión de Investigación em espanhol). O país estará em suspenso nos próximos dois meses com um Governo em gestão. O Governo será o da Aliança Democrática, mas depois desta rejeição o presidente da República terá que ouvir os diferentes partidos com assento parlamentar. Algo que vai acontecer já amanhã.
O Governo de Montenegro foi um dos mais curtos da história da democracia e o social-democrata (PSD) refere que tentou de tudo para que isto não acontecesse. Já que serão as terceiras legislativas em três anos. Os jogos políticos estiveram ao mais alto nível no Parlamento para que o Governo se mantivesse, o que acabou por não acontecer. Montenegro e Pedro Nuno Santos saíram várias vezes do hemiciclo durante a votação para dialogarem.
Já no interior do hemiciclo trocavam-se «farpas», com Montenegro a desafiar PNS para definir os métodos para os esclarecimentos que pretende ter e Ventura a descrever o PM como «arrogante». O IL acusa tanto o Governo como a oposição de «mergulharem o país numa profunda crise». Mas acabaram por votar a favor da continuação do Governo, ao contrário do que fez o PS e o Chega. As sondagens já apresentadas apontam a Iniciativa Liberal a crescer, o Chega a descer um pouco e o PS e o PSD empatados.
Os sociais-democratas (direita) já admitiram que, em caso de eleições, iram novamente com Luís Montenegro (mesmo que seja colocado como arguido). As eleições eram algo sobre o qual já se esperava.