31/08/2025

O português, terceira língua de ensino nos Estados Unidos?

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Num momento em que se fala muito sobre os Estados Unidos devido a deportação de emigrantes (especialmente latinos) e a guerra comercial que estão a impor a todo o mundo, uma entrevista aqui em Portugal voltou a levantar a necessidade de reforçar o ensino do português em várias zonas do mundo (muito falamos nós sobre o ensino do português em Espanha). Incluindo na terra do Uncle Sam.

O ensino do português nos Estados Unidos tem crescido, com programas em escolas públicas e a atuação de organizações como a American Organization of Teachers of Portuguese (AOTP). Há um aumento significativo de estudantes aprendendo português, especialmente em áreas com grande concentração de imigrantes ou em programas de imersão e duplo idioma. Algo que também temos aqui na Europa.

Os americanos de «gema» também querem aprender português. Uns para visitarem Portugal (o mercado americano já está entre os que mais emite turistas que vêm conhecer este pequeno «rectângulo a beira-mar plantado»), outros pelo fascínio que têm pelo Brasil.

Nos Estados Unidos existe mesmo um «Brazilian Day» onde costumam participar os principais cantores, incluindo a Anitta. Neste lado do Atlântico, mas exportado dos Estados Unidos, o festival Tribeca (ideia de Robert De Niro) vai para a sua segunda edição em Lisboa e por aqui deixo a minha pequena ideia.

Por que não usar o cinema e a ficção para levar a língua portuguesa para o mundo? A Coreia do Sul tem feito isto com o K-Pop e séries como «Squid Game» («Jogo do Calamare» ai em Espanha). Mesmo sendo um país de pequenas dimensões, Portugal tem belos cenários para mostrar.

Em várias escolas americanas existem a semana das línguas em que alunos de Portugal vão até lá e existem mostras não só da cultura portuguesa mas também de outras com forte presença local, como é o caso do México. Fora de Portugal, a aprendizagem da língua é visto como uma herança que os mais jovens (que já nasceram fora do país) recebem dos pais e dos avós que foram a procura de uma vida melhor para regiões como a Califórnia, Massachusetts, Nova Iorque (Nova Jérsia foi recuperada devido a esta comunidade) ou mesmo o Havai (o ukelele é descendente da guitarra que os marinheiros portugueses levavam nos barcos, só que mais pequena).

Nos Estados Unidos, existem comunidades portuguesas e luso-americanas significativas, com raízes históricas profundas e uma presença marcante em várias regiões do país. A maioria dos imigrantes portugueses estabeleceu-se nos EUA entre meados do século XIX e a primeira metade do século XX. Hoje em dia, essa comunidade está super enraizada no país, mas os laços a Portugal continuam não só da música mas também da língua. Há uns anos, Marcelo Rebelo de Sousa chegou a festejar o 10 de Junho junto a esta comunidade e no recém acabado Mundial de Clubes, os portugueses de Nova Jérsia acompanharam de perto a comitiva do FC Porto que ficou alojada naquela cidade. Que fica bem perto de Nova Iorque (durante o 11 de Setembro existiu a história de uma mulher que fugiu do embate das Torres Gêmeas a correr e só parou na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Nova Jérsia).

No sul da Califórnia (que também deve o seu nome a um navegador de Sesimbra) está a ser promovido o ensino da língua portuguesa numa cooperação entre o Los Angeles United School District e o Instituto Camões. Este instituto também tem trabalhado com as escolas do Maine. Mas um problema constante, em todas as latitudes, quando falamos do Instituto Camões e do ensino da língua portuguesa é a falta de professores para fazerem este trabalho. Para não deixar a língua morrer.

A terra da oportunidade tem fortes ligações, não só com as comunidades lusófonas mas também hispânicas. Em relação a estas últimas, existem zonas do país, como é o caso de Miami, onde se fala mais espanhol do que inglês. A expansão do ensino do português pode contar com o apoio desta comunidade. Nas aulas de português nos Estados Unidos existem descendentes de portugueses mas também muitos latinos que escolhem o português como língua estrangeira a aprender. Para quem saiba espanhol, o português é parecido e logo de fácil aprendizagem e útil em vários continentes. É língua oficial em países que ficam na Europa, América, África e na Ásia. Em todos os continentes se fala português e como tal falar a língua de Camões pode ser uma ferramenta para o futuro. Profissional e não só. Nos Estados Unidos, a população latina é o maior grupo minoritário, representando 18% da população total. Estamos a falar de 59 milhões de possíveis alunos de português que passariam a saber falar inglês, espanhol e português. Quantas mais línguas se saiba num mundo cada vez mais multicultural, melhor.

Afinal, a língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo, com 260 milhões de falantes e em franco crescimento. Nas redes sociais e na internet é muito falada, especialmente pela comunidade brasileira. Queremos diversificar o português no mundo mas existem pessoas que vivem em Portugal que não falam português (problema a ser discutido em outra ocasião). Para terminar, o que acham que se deve fazer mais para promover o ensino da língua portuguesa no mundo?

 

Andreia Rodrigues