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Há 40 mil anos iniciava-se, no continente africano, a «casa» da humanidade, uma caminhada que iria terminar em território Ibérico.

Na península Ibérica, os homens modernos, que afinal chegaram 5 mil anos antes do que se acreditava, estiveram em contacto com os Neandertais. Aliás, segundo um estudo genético, todos nós temos no nosso ADN de 2% a 4% de informação genética relacionada com os Neandertais, que extinguiram-se há 35 mil anos.

Uma equipa internacional de arqueólogos, que é composta por Nuno Bicho e João Cascalheira, da direcção do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve, descobriu esta ligação entre o «Homo Sapiens» e os Neandertais  na gruta da Lapa do Picareiro, na serra de Aire, perto da localidade de Fátima.

Esta gruta da Lapa foi descoberta em meados do século XX e os primeiros humanos modernos começaram a sua povoação há 38 mil anos atrás. Esta datação foi feita por radiocarbono devido a inúmeros sedimentos e fósseis encontrados no local. Isto confirma pode confirmar uma ligação entre ambos e que durou milhares de anos. Perto deste local, no outro lado da montanha, provou-se que na gruta da Oliveira existiu a presença de um grupo de neandertais.

«Numa zona relativamente delimitada geograficamente, temos vestígios de ocupação dos dois grupos humanos que coexistiram no tempo, o que poderá ter criado o contexto para trocas genéticas e culturais entre ambos», explicou o arqueólogo Nuno Bicho sobre uma possível miscigenação entre «Homo Sapiens» e Neandertais.

Esta descoberta foi publicada na revista «Proceedings of the National Academy of Sciences».