O que são os “verdes” no sul da Europa?

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Nas eleições europeias de 2019, vimos como o Grupo dos Verdes / Aliança Livre Europeia obteve surpreendentes 10,4% dos votos e mais 22 assentos do que nas eleições anteriores ao Parlamento Europeu. Esta aparente “onda verde” parecia tingir as urnas e as eleições municipais francesas de Maio / Junho de 2020. O sucesso ecológico ficou claro quando ganharam as câmaras de cidades como Besançon, Lyon, Estrasburgo ou Grenoble.

Agora, aqueles de nós que são apaixonados por política vêem como na Alemanha o grupo Alianza90 / Os Verdes, a partir de 7 de Maio, colocaram-se à frente da CDU / CSU de Merkel nas pesquisas com 25,9% de apoio contra 24,3% dos conservadores. No entanto, muitos apontam para um possível governo de coligação entre o que parecem ser as duas principais forças do Bunderstag para formar um governo na Alemanha, como fizeram a 14 de Março em Baden-Württemberg, ou como também fazem em Hesse.

É muito claro que nos países líderes da União Europeia os “partidos verdes” não são apenas uma moda passageira e que esses grupos vieram para ficar. Essa tendência não é exclusiva das grandes potências, mas em vários vizinhos do continente, como a Islândia ou a Áustria, esses padrões também se repetem com, respectivamente, Katrin Jakobsdóttir como Primeira-Ministra do Movimento de Esquerda Verde e Alexander Van der Bellen como Presidente apoiado pelos Verdes-A Alternativa Verde.

Sem dúvida, quando olhamos para o sul, esta tendência parece desaparecer. Por quê? Talvez não tenhamos conseguido ler o problema como ele merece e tanto em Espanha como em Portugal podemos ver, em parte, o motivo pelo qual acontece. Em ambos os países, os partidos ambientalistas frequentam as eleições legislativas em posições radicais ou em conjunto com alguns dos partidos mais de esquerda: no caso de Portugal temos a existência do partido Pessoas-Animais-Natureza, de cariz animalesco, e do LIVRE , que se posiciona numa linha profundamente ecossocialista. No entanto, o caso mais interessante é o do Partido Ecologista “Os Verde” (PEV), que forma a Coligação Democrática Unitária (CDU) juntamente com o Partido Comunista Português (PCP). E, enquanto isso, em Espanha, o Verdes Equo tem sido habitualmente apresentado com o Podemos e o Izquierda Unida, apesar do facto de que nas últimas eleições gerais (Novembro de 2019) concorreu com o Más País.

Ao contrário dos países do norte, onde os ambientalistas tendem a actuar como um partido articulado para permitir governos conservadores-liberais ou social-democratas, nos países do sul há uma concepção de políticas ambientais como “questões de esquerda” em vez de serem consideradas como uma questão política transversal que vai além do eixo esquerdo-direita. Para a curiosidade do leitor, as recentes eleições de 2021 em Madrid podem ser um indicador de que essa estratégia política dos verdes no sul não está funcionando.

Nas eleições regionais de Madrid, o Más Madrid, em coligação com o Verdes Equo, conseguiu emergir como uma alternativa política moderada, centrada, de centro-esquerda cujo objectivo, nas palavras do seu líder Íñigo Errejón, é “continuar construindo um amplo espaço como uma força verde a nível estadual”. Isto trilhando o seu próprio caminho como um “partido ambientalista”, ignorando a possibilidade de um reagrupamento de esquerda. Errejón afirmou, depois do 4 de Maio, que pode estar disposto a convencer “algumas dessas pessoas (vira-casacas do partido político espanhol Ciudadanos)” que “o meio ambiente, a justiça social e a regeneração democrática andam de mãos dadas”.

E foi assim que, com esta estratégia de moderação e uma certa transversalidade, o “partido verde” espanhol Más Madrid-Verdes Equo conseguiu surpreender o próprio Partido Socialista Operário Espanhol e liderar a oposição contra o Partido Popular. É com esse modus operandi que eles lideram as pesquisas na Alemanha ou que governam na Islândia e na Áustria. Para terminar, jogo algumas perguntas para o alto. É esse o futuro que espera os países do Sul? A “onda verde” chegará a Espanha e Portugal com a força que já tem no resto da Europa? Ou a liderança dos “verdes” em Madrid responde a outras razões e nada tem a ver com a sua nova postura política? Só o tempo pode responder a essas perguntas.

Daniel Ratón Chico

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