Eurocidades: a união para sobrepor à blindagem fronteiriça

Fuentes de Oñoro quer internet de alta velocidade para a região

Comparte el artículo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Situadas de ambos lados de uma fronteira considerada como “mais uma rua”, as eurocidades ibéricas apostam pela união de forças para se sobrepor à blindagem da Raia pela segunda vez num ano. De norte a sul, nos mais de 1.200 quilómetros de fronteira luso-espanhola há sete eurocidades, algumas com anos de trabalho nas suas costas e outras ainda na fase de constituição, mas todas atingidas pelos controlos impostos devido à pandemia.

A blindagem acabou com a maioria das deslocações mas não com o trabalho em comum dos municípios de um lado e outro da fronteira, que já pensam como recuperar da situação e dinamizar o território quando voltar a haver liberdade de circulação. Na Eurocidade do Guadiana, formada por Castro Marim, Vila Real de Santo António e Ayamonte, no ponto mais a sul da fronteira, o foco irá estar no turismo.

“Estamos a preparar uma estratégia conjunta de promoção e divulgação do território de forma mais ampla, mais além do típico sol e praia”, explicou à Efe o chefe do gabinete do autarca de Castro Marim, Dinis Faísca. Esta estratégia dará um impulso ao património cultural e às tradições da eurocidade, onde trabalhar em conjunto é “mais fácil, não só em tempos de pandemia mas em qualquer momento”, porque lhes permite posicionar como “uma das principais ofertas ao nível turístico do Algarve e Andaluzia”.

Trabalhar “sobre o papel” para o futuro

Um pouco mais a norte, na Eurobec -a eurocidade formada por Badajoz, Elvas e Campo Maior-, a pandemia e as limitações na fronteira paralisaram muitos dos projetos em andamento. “Estes projetos transfronteiriços vivem do contacto entre as pessoas, se essas relações e interações estão limitadas há bastantes dificuldades”, reconhece à Efe Sérgio Ventura, vereador de Elvas responsável pela coordenação da eurocidade, que assegura que continuam a trabalhar mas “mais sobre o papel do que sobre a realidade”.

A Eurobec quer continuar com as iniciativas pendentes, como participações conjuntas em feiras turísticas e intercâmbios entre escolas, “e provavelmente aumentar a sua incidência” assim que a pandemia o permita, explica o vereador. A blindagem fronteiriça também não parou o trabalho conjunto no norte da Raia, na eurocidade Cerveira-Tomiño: “Estamos nessa dinâmica há bastantes anos e não sabemos fazer as coisas de outra maneira”, assinala à Efe a autarca de Tomiño, Sandra González.

O impacto é inclusivamente maior nesta eurocidade, pois a sua passagem fronteiriça nem está aberta para o transporte de mercadorias ou para os trabalhadores transnacionais, obrigados a uma nova rota e a atravessar por Tui-Valença. Acontece algo similar na eurocidade Monção-Salvaterra de Miño, onde a ponte internacional abre durante umas poucas horas do dia que “não servem”, denuncia em declarações à Efe a autarca de Salvaterra, Marta Valcárcel Gómez.

“Nós não nos consideramos de um país ou de outro, somos um mesmo território”, defende a autarca, que explica que todo o assunto ligado à fronteira está a ser trabalhado tanto na eurocidade como no Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, que une municípios fronteiriços de vários países.

Compensações e fundos europeus

No Minho trabalha-se em conjunto de ambos lados da Raia para exigir que estes territórios tenham uma “compensação especial”. “Nesta zona da Raia foi-nos tirado durante meses metade dos nossos clientes, trabalhadores e fornecedores. O prejuízo é muito maior do que para um território que não tenha fronteira”, lamenta a autarca de Tomiño, que acrescenta que essa compensação poderá chegar “através do Estado ou dos fundos europeus”.

A eurocidade mais jovem, Porta da Europa, integrada por Ciudad Rodrigo, Fuentes de Oñoro e Almeida, também está atenta aos fundos europeus. O autarca de Fuentes de Oñoro, Isidoro Alanís, explica que o tema fronteiriço ainda não se trabalha dentro da eurocidade porque esta está em fase de constituição, mas defende que a compensação pelo fecho poderá chegar em forma de investimentos em infraestruturas.

“Se queremos assentar população, o que é preciso fazer é investir para que as empresas queiram ficar nos nossos territórios e gerarem postos de trabalho”, considera Alanís, convencido que, caso contrário, a região caminha para o “desastre”. Os possíveis investimentos já estão pensados: Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo têm projetos para dois polígonos industriais e Almeida quer uma zona de descanso para camiões.

Fuentes de Oñoro quer também internet de alta velocidade para a região, outro projeto que consideram que “encaixa perfeitamente nos fundos (europeus) de ajuda de recuperação depois da pandemia”. “Espero e confio que os fundos europeus possam ser destinados” a estas regiões, diz o autarca.

Noticias Relacionadas

Como chegámos a uma «Tempestade Perfeita»?

O que é uma «Tempestade Perfeita»? Normalmente quando utilizamos esta expressão estamos a descrever um fenómeno meteorológico que foi criado graças a confluência de vários

Deixe um comentário