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Há 500 anos atrás, em 1522, Fernão de Magalhães, ao serviço da coroa espanhola, desafiou todos os conhecimentos existentes na altura e lançou-se ao mar para realizar a primeira viagem de circum-navegação marítima da história.

Para assinalar este feito de política e economia espanhola e de ciência portuguesa, o Navio-escola Sagres iniciou uma viagem que pretende seguir os passos de Magalhães. Na saída do cais de Santa Apolónia, que aconteceu a 5 de Janeiro e que contou com a presença do presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, familiares e amigos despediram-se com emoção dos 144 marinheiros que iniciaram uma travessia que terá uma duração de 371 dias e que será culminada a 10 de Janeiro de 2021.

O escola Sagres será, mais uma vez, a embaixada flutuante de Portugal. A bordo do veleiro de 89 metros de comprimento irão ser feitas experiências sobre os problemas que o aquecimento global está a provocar nos mares. Para além desta vertente mais científica, que será feita pelos cadetes, a diplomacia estará presente numa nova “epopeia” que pretende reafirmar a importância e universalidade de Portugal e dos “portugais” que continuam espalhados nos 4 cantos do mundo.

O navio capitaneado pelo comandante Maurício Camilo vai passar por 22 portos em 19 países diferentes, visitando as 12 cidades da rede Mundial de Cidades Magalhânicas (das quais fazem parte Montevidéu, Tidore ou Cebú City) e fazendo uma paragem em Tóquio. Será na capital do Japão, que vai receber os próximos Jogos Olímpicos de Verão, que vai ser a casa da comitiva nacional. Por enquanto, a bandeira de Camões viaja pelos mares muito antes desbravados pelos povos ibéricos que continuam assim a celebrar a sua paixão pelo mar e pela aventura.

Em parte desta aventura, o Navio-escola Sagres terá a companhia do navio da armada espanhola Juan Sebastián Elcano (navegador que completou a viagem iniciada por Fernão de Magalhães). Esta circum-navegação conjunta faz parte de um programa de ações lançadas para comemorar os 500 anos da primeira volta ao mundo.

Os dois países pretendem que a viagem de circum-navegação do globo realizada por Magalhães e Elcano seja aceite pela UNESCO como património da humanidade.