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O comboio vai ser a principal locomotiva para recuperar o turismo na região do Douro. A partir de meados de julho, o inter-regional entre Porto e Régua contará, em exclusivo, com carruagens Schindler, da década de 1940. Graças às janelas largas, que podem ser abertas, os utentes irão contemplar a deslumbrante paisagem do Douro Vinhateiro.

Com esta novidade, a entidade regional de turismo do Porto e Norte pretende espalhar os visitantes ao longo do Douro. Ao mesmo tempo, a região está a trabalhar com os vizinhos espanhóis de Castela e Leão para promover o património classificado pela Unesco. A primeira campanha deverá arrancar no próximo mês.

Em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, Luís Pedro Martins, líder da entidade regional de turismo do Porto e Norte de Portugal, também defende a reativação da linha do Douro até Salamanca, 35 anos depois do encerramento do lado espanhol.

O regresso da aposta na linha do Douro também está a servir para “abrir um novo canal de comunicação” com a região espanhola de Castela e Leão. Neste campo, as duas entidades de turismo têm mantido várias reuniões. “Numa primeira fase, identificámos produtos turísticos comuns: a rota dos vinhos Douro/Duero e os patrimónios mundiais da Humanidade, em ambos os lados”, destaca Luís Pedro Martins.

Em relação à linha do Douro, a entidade regional de Turismo defende o regresso da ligação até Salamanca, com acontecia até ao final de 1984. Dos organismos regionais, “a CCDR-N deu de imediato luz verde, e o mesmo aconteceu com a Junta de Castela e Leão”. A nível nacional, decorrem conversações com o Governo português.

“Falámos com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e percebemos que está implicado com esta questão e que defende a Linha do Douro. Manifestou mesmo a disponibilidade de poder abordar esta questão com o seu homólogo. A mensagem já foi transmitida a Espanha e estamos a tentar agendar uma reunião ibérica”.

Luís Pedro Martins assume que as obras de recuperação da linha do Douro implicam o compromisso de Portugal e Espanha. “Se do nosso lado o esforço não é assim tão grande, do outro lado o esforço é maior”. Um eventual regresso da linha do Douro até Salamanca implicaria um investimento total de 578 milhões de euros: 163 milhões do lado de Portugal, mais 415 milhões do lado de Espanha. Em 2018, a Comissão Europeia mostrou-se disponível para financiar estas obras.