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O mês de Junho é o mês dos Santos e o primeiro deles, pouco após o Dia de Portugal, temos o Santo António. Este santo, o mais casamenteiro de todos, leva todos os anos os lisboetas, e não só, a saírem às ruas. São milhares de pessoas que festejam nos bairros típicos de noite com uma sardinha no pão e a assistirem as marchas das diferentes colectividades a descerem a Avenida da Liberdade. Isto depois dos casamentos de Santo António, que desde há 300 anos ajuda os noivos a residirem na capital a terem o melhor dia das suas vidas.

Só que isto foi antes, foi no ano passado e em todos os anteriores. Numa altura excepcional, medidas únicas e pela primeira vez na história não houve casamentos, marchas ou arraiais nas ruas. Mesmo com os cafés, restaurantes e casas de fado já abertos (mas com horário de fecho, estes últimos dois até às 24 horas), as movimentações não foram as mesmas e quem queria sardinhas, bifanas ou caldo verde teve que se contentar por petiscos mais caseiros.

Ruas vazias, tristes e patrulhadas

A polícia municipal de Lisboa patrulhou fortemente as ruas para tentar proibir qualquer tipo de ajuntamentos ou arraiais de santos improvisados com pequenos fogareiros, música popular e decorações festivais. Essas, tal como as roupas dos marchantes que este ano não puderam desfilar, não puderam ser vistas em público mas a criatividade também marcou uns Santos únicos na história de Portugal.

Decorações nas janelas, concursos ou pares de marchantes correram a cidade para entregarem manjericos a pessoas com mais de 70 anos que continuam em casa para se tentarem proteger de uma segunda vaga de Coronavirus que está a atacar, especialmente, a área metropolitana de Lisboa. É a partir das janelas das respectivas casas que estas pessoas relembram outras festas e esperam por um futuro mais risonho onde os bairros populares poderão voltar a receber a alegria e a festa e mesmo entre 4 paredes e de uma forma algo tímida, ao som de marchinhas e do fado.