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Em 1 de janeiro de 2021, o Governo de Portugal assumiu a presidência semestral do Conselho da União Europeia e, em 24 de janeiro, o povo português vai eleger quem será o seu chefe de Estado nos próximos cinco anos. O TRAPÉZIO acompanhará em pormenor ambos os processos políticos.

As eleições para a Presidência da República são, em aparência, apresentadas como referendo para a ratificação do atual presidente. Se Marcelo Rebelo de Sousa conseguir mais de 50% dos votos na primeira volta, automaticamente se tornará presidente sem necessidade de uma segunda volta.

Durante a campanha, o candidato do partido de extrema-direita doChega,André Ventura, tentará polarizar o debate. Para isso obteve o apoio de Marine Le Pen, que tem alguma ascendência sobre parte da comunidade portuguesa em França. O Chega foi determinante nos Açores na adição de uma maioria parlamentar de apoio ao candidato do centro-direita ao governo regional, José Manuel Bolieiro.

Com perfil independente, professor catedrático de Direito e comentador televisivo, Marcelo Rebelo de Sousa engloba o espaço político do centro-esquerda (com o apoio implícito do primeiro-ministro António Costa e do Partido Socialista) até os dois partidos de centro-direita (CDS e PSD -o seu partido-). Outros candidatos ao acesso ao Palácio de Belém serão: Ana Gomes de centro-esquerda, Marisa Matias (Bloco de Esquerda) e João Ferreira (Partido Comunista Português).

Presidência do Conselho da UE

No primeiro dia de 2021, Portugal assumirá a sua quarta presidência do Conselho da União Europeia. O Governo português está interessado em acelerar o desenvolvimento dos regulamentos necessários para implementar os fundos de recuperação e resiliência.

Além da prioridade absoluta de completar a estratégia de vacinação, Portugal promoverá a autonomia estratégica na política externa da União Europeia, num contexto favorável pelo Brexit, a nova administração norte-americana de Joe Biden e a boa harmonia com Josep Borrell, alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, salientou que as políticas social e migratória também estarão na agenda da Presidência, num contexto mediático onde Portugal irá concentrar as atenções, nas próximas semanas e meses. Das organizações iberistas e raianas em torno do Fórum Cívico Ibérico, espera-se que a Presidência portuguesa do Conselho da UE possa constituir um importante passo em frente na implementação da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço.