A juntar ao fado e ao cante alentejano (entre outras), Portugal pretende que a arte equestre seja Património Imaterial da Humanidade. Na candidatura enviada para avaliação refere-se que a arte de montar lusitana é «distinguida pela forma de trajar dos cavaleiros, os arreios que são diferentes de outras escolas, e forma de lidar com o cavalo». Esta candidatura foi apresentada pela Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano. Uma das principais feiras de cavalos em Portugal acontece na Golegã, onde e devido a sua vasta afluência existe uma patrulha conjunta entre as polícias de Portugal e de Espanha.
A equitação portuguesa, que na sua maioria é feita com cavalos de raça lusitana, é uma prática que se traduz na excelência do ensino do cavalo expressa na realização dos andamentos de alta precisão que em muitos casos são inspirados no que vemos nos cavalos que entram nas arenas de touros. Uma das grandes diferenças que vemos na tourada praticada em Portugal é que aqui os cavaleiros têm primazia nas lides. Uma das principais características do cavalo lusitano, para além do seu tamanho e porte majestoso, são as tranças que os criadores fazem nas suas crinas. A escola portuguesa, criada pela primeira vez pelo Marquês de Marialva, apresenta muitos dos costumes que eram habituais na corte portuguesa. A forma de montar portuguesa chegou a ser referida como a «marialva», que na língua portuguesa significa alguém que gosta de viver a vida com estilo/classe. O cavalo lusitano é o de sela mais antigo do mundo e é montado há mais de cinco mil anos.
A arte equestre portuguesa é praticada desde o século XVIII e em frente do Palácio de Belém podemos ver demonstrações desta arte. A Escola Portuguesa de Arte Equestre é o principal sítio mas a verdade é que existem praticantes deste tipo de arte em vinte países (incluindo o Brasil) e nos cinco continentes. A EPAE tem sede no histórico Palácio de Queluz e faz apresentações regulares no bairro lisboeta da Ajuda.
A proposta será analisada em Dezembro, na reunião do Comité intergovernamental da UNESCO, em Assunção, no Paraguai. Na capital paraguaia também será analisada a candidatura que o Brasil enviou da produção artesanal do Queijo de Minas. Quem não conhece o equivalente brasileiro ao romance de Romeu e Julieta, que neste caso seria o queijo e a goiabada.