A 5 de Outubro de 1910, Portugal terminou com quase 8 séculos de monarquia e «abraçou» uma nova forma de governo, a república. Onde o povo é quem mais ordena. Isto, como é óbvio, se vivemos numa democracia. Algo que apenas tem cinquenta anos, o que é um curto espaço de tempo num país com uma riqueza histórica tão grande como Portugal. Nação que lembra nos livros de história D. Manuel II como o último Rei de Portugal depois de ter visto o pai, D. Carlos, e o herdeiro, o príncipe Luís Filipe, a serem assassinados numa rua que fica ao lado do Terreiro do Paço.
Se tirarem os olhos do chão, ainda poderão ver a placa que relembra este feito da história. O Regicídio foi planeado no Café Gelo, no Rossio, e atualmente neste espaço existem degustações de pratos de bacalhau.Muito mudou no país, e no mundo, desde então! Vivemos duas guerras mundiais, ditaduras, a perda de territórios na África e na Ásia, a entrada no grupo europeu (ao lado da Espanha pelas mãos da dupla Soares e Gonzalez), duas pandemias globais e várias crises económicas.
Este «golpe», que teve ADN portuense, terminou com a proclamação de uma nova forma de governar na varanda dos Paços do Concelho da cidade de Lisboa. Se uns comemoram a implementação da república, o PPM neste dia aproveitou para lembrar a família real portuguesa, que ainda existe e tem como o seguinte na linha de sucessão D. Afonso, que é afilhado da Infanta Elena de Espanha. Se olharmos para o Brasil, a república portuguesa é mais jovem, mas ainda existe no outro lado do Atlântico um ramo da família Bragança.
Todos os anos, o presidente da república vai até esta varanda hastear a bandeira como forma de lembrar os pais da primeira república de Portugal. Desde há 114 anos que Portugal é verde e vermelho (sem esquecer o amarelo), as cores da bandeira republicana. Ao longo deste mais de século, mais precisamente 114 anos, apenas não se celebrou o 5 de Outubro como feriado por três vezes. Foi nos anos da Troika . A cerimónia nos Paços do Concelho de Lisboa foi vedada ao público pelo segundo ano consecutivo, contando com pouco mais de 200 convidados.
O presidente da autarquia de Lisboa, Carlos Moedas, no seu discurso lembrou Luís de Camões. O poeta maior da língua portuguesa que comemora 500 anos. Já o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, focou que «a república e a democracia estão vivas», mas é melhor uma democracia imperfeita do que uma ditadura perfeita. Desde que Portugal voltou a ser uma democracia já teve cinco presidentes e irá a eleições em 2026. Guterres e o Vice-Almirante Gouveia e Melo são alguns dos nomes falados para o lugar.A luta contra as desigualdade foi lembrada nos dois discursos.
Marcelo Rebelo de Sousa lembrou ainda a sociedade multicultural que Portugal apresenta hoje, com «mais de um milhão de não nacionais», a maioria de países lusófonos, e enalteceu a diversidade que trouxeram. Ao contrário da manifestação que o Chega organizou contra a emigração, o chefe de estado levou um país multicultural. Um mosaico cultural que tem como cenário a própria cidade de Lisboa, onde temos inúmeras igrejas na Baixa e ao lado podemos encontrar emigrantes vindos do sudoeste asiático a jogarem criquet. Esta foi a primeira sessão comemorativa do 5 de Outubro no atual quadro de Governo minoritário PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro.
Neste dia, os políticos fazem os seus habituais discursos, o povo protesta (este ano foram os bombeiros e os professores) e existem atividades em várias localidades. Em Sesimbra, houve uma prova de natação em águas livres para lembrar dois irmãos, os Filipe.