Sesimbra, mais precisamente o recentemente inaugurado Centro Cultural Costeiro (que fica num edifício centenário que anteriormente era uma mercearia), recebeu durante a primeira semana do mês de Outubro o Fórum do Património Marítimo do Mediterrâneo. Durante a 29.ª edição do Fórum falou-se sobre a forma como estes museus convivem com as comunidades costeiras onde estão inseridos. Estas comunidades têm participado ativamente na vida dos museus e vice-versa, como em Sesimbra, onde várias famílias de pescadores contribuíram para ajudar a «nascer» o Museu Marítimo, que fica na Fortaleza de Santiago.
Todos os museus presentes, que vão de um eixo que vai de Portugal até a Croácia, defenderam a necessidade de se salvaguardar o diverso património marítimo que existe ao longo do mediterrâneo. Argélia, Croácia, França, Gibraltar, Grécia, Itália, Malta, Montenegro, Portugal, Principado do Mónaco, Eslovénia, Espanha e Turquia tiveram representantes neste encontro. O Museu de História e Departamento de Património Cultural de Sant Feliu de Guixois (Espanha) foi um dos presentes no encontro (onde também houve representação da Catalunha) que juntou museus que falaram sobre o passado, presente e futuro das comunidades marítimas à volta do mediterrâneo. O mar fechado que é cada vez mais aberto.
Estamos a falar de nações que são ou foram potências marítimas e, como tal, têm muito que contar. Onde apresentaram o que nos seus países está a ser feito para preservar a cultura ligada ao mar. Que deve ser preservado pois é uma importante fonte para a economia. A economia azul está cada vez mais na moda. Quem não conhece histórias de pescadores que iam para os mares do norte pescar bacalhau ou um pouco mais para sul à procura de atum ou polvo? As campanhas do bacalhau são as últimas grandes histórias ligadas ao mar depois dos Descobrimentos.
Como foi lembrado por mais do que uma vez, pelo representante do Museu de Ílhavo, a comunidade marítima não «morre» nas fronteiras geográficas que englobam estes diferentes museus mas engloba todas as comunidades marítimas de um eixo mediterrâneo multicultural.
Para além das apresentações e mesas de debate também houve espaço para momentos culturais, com a música do mediterrâneo a encher a estadia em Sesimbra dos participantes. O Fórum do Património Marítimo do Mediterrâneo foi uma organização da Associação de Museus Marítimos do Mediterrâneo (fundada em 1998) em parceria com a autarquia de Sesimbra. Esta localidade tem uma ligação com o mar que podemos datar desde a pré-historia e no Museu Marítimo de Sesimbra, que já ganhou várias distinções, é possível ver alguns dos instrumentos que eram usados na prática pesqueira ao longo dos séculos mas a modernidade não é esquecida. A edição do próximo ano do Fórum do Património Marítimo do Mediterrâneo, que é patrocinado pelo programa EUGrants, vai acontecer em Espanha.