O nosso mar, a nossa casa

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Agua é vida, todos sabemos desta verdade e o mar ganha uma especial importância quando somos de um país marcadamente atlântico como Portugal. Nasci em Sesimbra (na realidade foi em Almada mas o elo de ligação, a agua, continua lá), uma conhecida vila piscatória, e toda a minha vida tem sido feito com o mar como cenário ideal. Quando me perco é no enorme espelho que me encontro. É também na praia, que recebe-me sempre de braços abertos, onde procuro refúgio.

As nossas costas, banhadas pelo Atlântico e pelo Mediterrâneo, são ricas e diversificadas. O peso da economia do mar é significativo e lá em baixo as riquezas são inúmeras. Já mergulharam no mar com óculos? Eu não mas aqui onde moro fazemos uma passagem de ano subaquática e há um mês realizou-se, nos Açores, um campeonato de fotografia onde compreendemos que existe mais vida do que aquela que podemos ver em terra firme. Só que os peixes e os corais, como acontece na grande barreira na Austrália, estão em perigo. Para monitorizar as suas zonas costeiras, Portugal e Espanha vão lançar um conjunto de satélites, a Atlantic Constellation.

O Dia Nacional do Mar, que se celebra em Portugal a 16 de Novembro, demonstra-nos, através de várias iniciativas que acontecem de norte a sul, a importância que tem para a nossa economia, para a nossa vida. Esta data começou a ser celebrada em 1997 após a retificação da «Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar». Este documento estabelece os limites marítimos inerentes à Zona Económica Exclusiva e à Plataforma Continental. A ZEE lusa é a 5.ª maior da Europa e 20.ª maior do mundo. Portugal e Espanha disputam a fronteira da ZEE mais a sul e o país vizinho defende que as Ilhas Selvagens não formam uma plataforma continental separada. O estatuto de ilhas ou rochedos é o que está por detrás de toda esta questão.

 

Em 2009, o primeiro-ministro era o Sócrates (quem mais?) e arranjou uns robôs submarinos para fundamentar a proposta que o país apresentou a ONU para aumentar esta zona. A proposta portuguesa foi defendia pelo secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, João Mira Gomes (o atual embaixador), como os «descobrimentos do século XXI». A decisão a esta proposta nunca foi conhecida.

Cada português come, por ano, 57 quilos de pescado (uns 40 devem ser bacalhau. Afinal somos portugueses!). Este valor faz com que sejamos o membro da União Europeia que mais consome. Agora, que estamos no fim da COP 26, as alterações climática são o grande tema noticioso. Daqui a uns dias vai voltar ao esquecimento até que apareça uma vaga de frio que faça que voltemos a falar sobre o aquecimento global e o derretimento das calotes polares.

Da COP não irá sair muita coisa, infelizmente esta é a verdade, mas um dos comprometimentos é a redução das emissões de metano. Portugal, os Estados Unidos e outras 100 nações prometeram reduzir as suas emissões em 30% até 2030. Úrsula Von der Leyen, que também marcou presença em Glasglow, lembrou que o metano é responsável por cerca de 30% do aquecimento do planeta desde a revolução industrial e conseguir esta meta ia ajudar a reduzir a temperatura mundial. Também na Escócia foi emitido o documentário Do sopro do Diabo, de Leonardo DiCaprio, que retrata os incêndios que aconteceram em Pedrogão em 2017.

O que podemos fazer para impedir o «suicídio coletivo», palavras de António Guterres, para onde caminhamos? Um documentário, que passou numa televisão alemã, defendia o veganismo como uma forma para salvarmos o planeta. Isso é que não, já que nascemos a comer carne e peixe. Algum de vós está disposto a nunca mais comer sardinhas ou peixe-espada? Acho que não mas se não olharmos com outros olhos para o nosso mar muito em breve algumas espécies podem desaparecer e assim mudar o nosso estilo de vida de uma forma radical.O mar português emprega 100 mil pessoas e representa uma riqueza anual de 8 mil milhões de euros.

Quando olhamos para a idade de pescadores e de embarcações, cada vez mais envelhecidos e pouco modernizados, compreendemos que é necessário fazer alguma coisa. Este, tal como todos os outros setores, não podem estagnar. Muitas vezes ouvi que a frota portuguesa está desta forma devido a União Europeia mas o que seria das nossas vidas sem a proteção da bandeira azul com estrelas? Portugal apresenta-se muitas vezes a nível diplomático como uma ponte entre continentes. Esta ponte está assente no mar que nos une e que nos separa (já a Leonor Andrade cantava isto na Eurovisao).

O Atlântico já nos deu inúmeras riquezas, como todos sabemos, mas tem muito mais para nos oferecer. Basta saber olhar para ele, ouvir o bater das ondas nas rochas, sentir o sal no corpo. Já Fernando Pessoa, um dos nossos génios literários e autor da Mensagem, cantava: Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!Não tenho pescadores na família mas a verdade é que nós, portugueses e espanhóis, somos navegadores por natureza. Os Descobrimentos já lá estão, no passado, mas podemos criar outros empreendimentos e não temos logo que avançar para os unicórnios (quem acompanhou a Web Summit e ouviu o discurso do Moedas sabe o que eu estou a dizer). Podemos começar começar com o mar e a sua limpeza. É que mergulhar, como aconteceu comigo este ano, entre caixas de ovos e pacotes de bolachas não é nada agradável.

Já olhou para o mar, a nossa casa, hoje?

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