António Costa deslocou-se ao Chile para lembrar o golpe que derrubou a democracia, há 50 anos

Todas as «ditaduras têm sempre um fim» e as democracias não são eternas, como a ascensão da extrema-direita demonstra

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No Chile, onde está a participar nas cerimónias que evocam os 50 anos do golpe de estado que levou Pinochet ao poder, António Costa lembrou o 25 de Abril (que no próximo ano comemora 50 anos) e o facto de que todas as «ditaduras tem sempre um fim». Esta posição foi assumida quando chegou ao Palácio de La Moneda, sede do Governo chileno.

Costa, que foi um dos convidados do presidente para participar nesta cerimónia, vincou, numa breve mensagem em espanhol, que «a democracia se conquista todos os dias e que todos os dias temos de reforçar a democracia para que permaneça viva». No Chile também esteve presente os presidentes do México (López Obrador), Colômbia (Gustavo Petro), da Argentina (Alberto Fernández) e o antigo líder do Governo espanhol Felipe González. Pedro Sánchez deixou uma mensagem. Nesta lembrou que «Espanha e o Chile defendem a democracia desde uma experiencia compartilhada».

Os presentes assinaram uma Declaração de Compromisso com a Democracia. As democracias fazem com que os países se desenvolvam e estreitem as suas relações bilaterais. Costa e Boric reuniram-se em privado para discutirem discutirem o aumento da cooperação económica, em especial no sector das energias renováveis e do agro-alimentar. O Chile é o segundo maior produtor de lítio no mundo. No Chile, Costa esteve também reunido com representantes de empresas portuguesas no país. Actualmente, o Chile é o segundo principal destino do investimento português na América Latina (ficando apenas atrás do Brasil). O investimento português duplicou de 184 milhões de euros para 421 milhões de euros, isto no fim de 2022.

11 de Setembro de 1973, o dia em que a democracia perdeu o seu brilho no Chile

A ditadura de Pinochet terminou em 1990. Na estadia no país, que durou dois dias, o primeiro-ministro português reuniu-se tanto com o presidente chileno como com o mexicano. No encontro com López Obrador, a quem foi oferecido um livro de Saramago, falou-se sobre a aproximação entre os dois países, que são importantes parceiros comerciais. Depois do golpe no Chile, o México recebeu mais de  três mil chilenos que fugiram da falta de direitos humanos no Governo de Pinochet.

Em Santiago do Chile houve uma marcha, organizada por mulheres e com a presença do presidente Boric, para assinalar os 50 anos da deposição do Governo socialista de Salvador Allende (pai da conhecida escritora e senadora Isabel Allende). A marcha pretendeu lembrar as  memórias das mais de três mil vítimas da ditadura de Pinochet. Estes desaparecimentos estão a ser investigados e alguns dos culpados, como é o caso dos envolvidos no caso Vitor Jara, já foram levados a tribunal.

Pede-se que nunca mais se volte a viver num estado ditatorial. O primeiro-ministro português acredita que o espírito de Allende deve ser uma referência para todos os que amam a liberdade e a democracia. No Chile, Costa também alertou para o crescimento da extrema-direita e pede a união dos democratas. Este aniversário foi assinalado com confrontos nas ruas. A Praça da Constituição foi um dos locais chave nas comemorações.

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