Lula da Silva visitou Angola para retomar a relação económica entre os dois Estados

Lula e João Lourenço assinaram 11 acordos de cooperação em diversas áreas como a agricultura ou a educação

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Lula da Silva esteve em Angola para uma visita que teve na cooperação económica o seu grande foco. Depois da presença na Cimeira dos BRICS, Lula da Silva aterrou em Angola. Esta foi a primeira visita de estado que fez a um país africano neste novo mandato. «Começámos por um país que sempre foi a maior ponte para este continente-irmão», lembrou o presidente brasileiro. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola em 1975.

No país, o presidente brasileiro propôs uma campanha mundial contra a desigualdade. Esta existe em todos os lugares e a fome é um dos grandes problemas do mundo. Lula criticou o facto de «cada vez mais o 1% tem mais riqueza e os 50% mais pobres estão cada vez mais pobres». A escravidão, uma chaga compartilhada entre o continente americano e africano, deixou um nefasto legado de desigualdade.

No encontro com João Lourenço, Lula foi condecorado com a Ordem Agostinho Neto (visitou o mausoléu, onde depôs uma coroa de flores a um dos principais símbolos da luta pela independência) e o angolano foi agraciado com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Lula da Silva convidou João Lourenço a participar nas reuniões do G20 quando o Brasil assumir a presidência deste grupo, o que vai acontecer a partir de Dezembro deste ano.

Angola é um dos poucos países africanos com o qual o Brasil tem uma parceria estratégica. A indústria petrolífera e a  agro-indústria são vistas como prioritárias para as relações bilaterais. Ambos os países acreditam que tem muito a aprender um com o outro. Em 2022, o volume de negócios entre o Brasil e Angola atingiu a cifra dos 700 milhões de dólares. 2014 foi o melhor ano para as trocas económicas entre os dois estados, já que se obteve lucros de 2.371 mil milhões de dólares.

Brasil retorna a África através de Angola

A parceria foi iniciada em 2002, durante o segundo mandato de Lula da Silva. Em conjunto, os países têm sete projectos em execução (como está a acontecer no Vale do Cunene) e preparam mais três nas áreas da saúde ou da educação. Os dois chefes de Estado assinaram vários acordos (7) nos domínios da agricultura, saúde (será construída a primeira fábrica de medicamentos), educação, empresariado, processamento de dados na administração pública e transportes. Todos os memorandos assinados pretendem reforçar o relançamento desta relação bilateral.

No discurso na Assembleia Nacional de Angola, Lula da Silva lembrou Bernardete Pacífico, líder quilombola que foi corajosa na defesa da sua comunidade na Bahia. O presidente Lula da Silva vê com muita satisfação a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. No fim do dia, participou no encerramento de um seminário que juntou empresários dos dois países que procuram novos investimentos na área farmacêutica ou de máquinas agrícolas. Em relação a agricultura, vai ser elaborado um plano de acção com o objectivo de promover o desenvolvimento nesta região de África.

A comitiva que acompanhou Lula é a maior que já levou a uma visita de estado ao exterior. Em Luanda, Lula da Silva inaugurou um novo espaço no Centro de Cultura Angola-Brasil, a galeria Ovidio de Melo. O Governo brasileiro pretende abrir um consulado geral na capital angolana. Houve um encontro com a comunidade brasileira, que ronda os 27 mil, a residir no país africano. Esta é a maior comunidade brasileira a residir em África. Para Lula, a relação com Angola é «uma política de Estado» e lamentou o abandono que o Governo de Bolsonaro votou África. Durante o anterior mandato até foram fechadas embaixadas no continente africano. Depois de terminar a visita a Angola, a comitiva brasileira vai partir para São Tomé em Príncipe onde vão participar em mais uma cimeira da CPLP.

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