Pandora Papers e as suas ramificações no mundo Ibero-americano

Políticos, monarcas e membros da cultura pop são algumas das figuras envolvidas nesta investigação

Comparte el artículo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Os Pandora Papers, investigação do mesmo consórcio de jornalistas que revelou os Luanda Leaks, apresentaram os dados de políticos, monarcas e membros da cultura pop que têm contas offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas e no Panamá, paraísos fiscais. A Madeira e a Andorra têm zonas francas bastante atractivas para atrair cidadãos e empresas mas, segundo Portugal, não se inserem na categoria de paraísos fiscais. Cidadãos de 91 países esconderam fortunas nestes locais para não pagarem impostos. As fortunas escondidas são equivalentes a 4% do PIB europeu. A maioria das operações apresentadas não são ilegais mas indicam que existe uma economia subterrânea que apoia os mais ricos.

Dos 12 milhões de ficheiros investigados destacam-se nomes espanhóis e portugueses. Poucos dias depois da fuga de João Rendeiro, antigo banqueiro do BPP, a investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) apresenta três nomes de políticos portugueses que são ligados ao PS e ao PSD. Nuno Morais Sarmento, Vitalino Canas e Manuel Pinho são as figuras portuguesas referidas nos Pandora Papers mas por razões diferentes. Morais Sarmento, que actualmente é o número 2 de Rui Rio no PSD, usou uma companhia offshore nas Ilhas Virgens para comprar uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique.

Vitalino Canas, que trabalhou com António Guterres quando o actual secretário-geral da ONU era primeiro-ministro, tinha uma procuração para actuar em nome de uma companhia pertencente a um milionário russo. Já Manuel Pinho, antigo ministro de José Sócrates que saiu do governo devido a uma discussão no parlamento onde fez o sinal com as mãos de «cornos», era o beneficiário de três companhias offshore, já conhecidas por estarem referidas num inquérito-crime a EDP que está em curso.

Outro nome de um país lusófono que faz parte desta investigação é o do ministro da economia brasileiro, Paulo Guedes. O governante, braço direito de Bolsonaro, tem uma conta milionária offshore nos paraísos fiscais que atraem 35 líderes mundiais (actuais e antigos) e os donos das maiores fortunas mundiais. A investigação dos Pandora Papers será discutida no Parlamento Europeu.

De treinadores de futebol a políticos, quais são os nomes hispânicos que fazem parte desta investigação?

Os Pandora Papers também referem nomes hispânicos, como é o caso dos treinadores Pep Guardiola e Carlo Ancelotti e dos cantores Shakira e Júlio Iglesias (que tem uma fortuna de 800 milhões de euros, segundo a revista Forbes). São 601 as personalidades espanholas referidas nestes documentos.

Na América latina, os presidentes do Equador (Guillermo Lasso), Chile (Sebastián Piñera) e da República Dominicana (Luis Abinader) aparecem ligados aos documentos investigados por operarem sociedades ou fazerem negócios em paraísos fiscais. Corinna Larsen, ex. amante do rei emérito, faz parte da investigação dos Pandora Papers pois um dos documentos investigados é uma carta, de 2007, em que Larsen planeava entregar 30% dos ingressos de um fundo registado no paraíso fiscal de Guernsey. O advogado de Corinna falou ao El País negando a veracidade deste documento. O chefe da máfia italiana Camorra, Raffaele Amato, usou contas offshore para comprar terrenos em Espanha.

Noticias Relacionadas