Autoridades luso-espanholas relembram o naufrágio do «Numancia»

Fragata espanhola naufragou há mais de 100 anos em Sesimbra no caminho da sua ultima viagem

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A 16 de Dezembro de 1916, após um temporal que se abateu sobre a costa portuguesa, a fragata Numancia, um dos mais emblemáticos e imponentes navios da Armada Espanhola, acabou por naufragar em Sesimbra. Com 32 tripulantes a bordo a precisarem de ser salvos, as gentes da vila piscatória lançaram-se ao mar para fazer este resgate improvável e que mais de um século depois continua a ser lembrado pela comunidade luso-espanhola.

Para relembrar a memória daqueles que estiveram envolvidos no salvamento da Numancia (que em Sesimbra ficou conhecida como “Vapor”), a autarquia local desterrou uma placa no pontão da praia do Ouro, a poucos metros do local onde os destroços da fragata ainda continuam. Presente nesta cerimonia evocativa esteve, entre outros, o diretor de finanças e administração da Sociedade Espanhola de Salvamento (SASEMAR), José António Perez, que sublinhou o “exemplo de solidariedade e humanidade dos sesimbrenses que socorreram os náufragos, num episódio que se poderia tornar numa tragédia”. Também participaram na inauguração do memorial da fragata Numancia membros autárquicos e o representante da Embaixada de Espanha em Portugal, Adido de Defesa, Diego Ruiz.

Numancia, o navio que deu origem a um romance

A fragata Numancia, que tinha começado a navegar em 1864, foi uma promessa de inovação e juventude para a Armada Espanhola. O popular couraçado de ferro, que chegou a participar nas guerras contra as novas repúblicas americanas e dar a volta ao mundo (feito conseguido anteriormente por Magalhães e Elcano), inspirou Benito Pérez Galdós a escrever o livro “A volta ao mundo na Numancia”. O navio também transportou um rei, Amadeo I (que reinou de 1870 a 1873), e esteve envolvido no salvamento de 500 pessoas no movimento cantonal.

Findos os seus dias de glória, já que tinha sido substituído pelo couraçado Pelayo, o Numancia acaba por ser vendido para a sucata. Foi na sua última viagem, em direção Bilbau, que a embarcação enfrentou uma tempestade de inverno, com ondas de quatro metros, que levou a que chegasse bem perto (os seus restos estão a poucos metros da praia do ouro) de Sesimbra, local onde foram atirados contra as rochas.

Na vila piscatória, onde havia uma Sociedade de Socorro a Náufragos, os pescadores viram os sinalizadores lançados pela tripulação e lançaram-se ao resgate usando cabos que partiram de um dos armazéns (atualmente um restaurante) até ao barco. Já em terra, molhados e sem os seus pertences, os 32 tripulantes foram acolhidos pela população local até que o regresso a casa se pudesse fazer. Isto no caso dos que voltaram pois um dos marinheiros ficou por Sesimbra e na cerimónia de apresentação da placa que recorda a memória destes homens esteve presente a neta de um dos sobreviventes do dia 16 de Dezembro de 1916. Os descendentes dos três homens que decidiram ficar na vila ficaram conhecidos como os numantinos de Portugal.

Em relação aos destroços, e depois do fim da tempestade, muitas foram as autoridades, curiosos e membros da imprensa que se deslocaram ao local para verem o que iria acontecer com a conhecida fragata que se tinha tornado num monte de aço e numa história que poderia ter sido trágica se não fosse a equipa de salvamento capitaneada por Arrais Estino.

Atualmente, os seus restos estão repletos de algas, búzios e muitos mergulhadores que visitam mais este pedaço da riqueza submarina que pode ser encontrada em Sesimbra.

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