Depois das eleições, o que se segue?

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Com a campanha para as legislativas a terminar e com o temporizador a marcar «quase» o dia das eleições (o voto antecipado já decorreu), qual é o balanço que podemos fazer das últimas semanas? Esperemos que não seja como Tino de Rans, um dos candidatos dos partidos mais pequenos, disse e vire um «grande 31» (uma grande confusão, em bom português). No dia 30, 22 círculos eleitorais vão apresentar 198 cabeças-de-lista de nove partidos.

Independente de quem ganhe a certeza é que a esfera política está cada vez mais fragmentada. Depois de termos tido campanhas com muitos entraves nas últimas chamadas às urnas, estas legislativas antecipadas trazem um sentimento de falsa normalidade. Mesmo com o aumento dos contágios, os políticos voltaram às ruas e às grandes aglomerações em jantares e em feiras.

As mesmas promessas de sempre foram feitas mas como dizem os populares, os políticos aparecem por lá em tempo de eleições e depois se esquecem das ruas. O aumento dos salários e a semana de quatro dias de trabalho foram alguns dos temas falados durante a campanha. Antes da saída das caravanas partidárias para percorrer Portugal tivemos os debates tanto na televisão como na rádio.

Nestes debates, que opuseram todos contra todos, tivemos muita combatividade e Costa a defender-se de toda a crise política provocada com o chumbo do mesmo orçamento de estado que mostrava para as objetivas. Esse mesmo orçamento serviu para inúmeros momentos de humor. Se 20 milhões assistiram aos 37 debates realizados, as redes sociais foram ao rubro com a presença dos diversos líderes partidários no programa apresentado pelo Ricardo Araújo Pereira.

Se pedissem a alguém para resumir a campanha eleitoral em Portugal em poucas palavras, ou fossem ler os trend topics, o Zé Albino e o comprimido azul (acredito que saibam qual a que me refiro) foram as estrelas da campanha. O Zé Albino, o gato do Rui Rio, tornou-se a grande estrela desta campanha depois de um tweet sarcástico devido a aproximação entre o PS e o PAN. Falando em «muletas», Rui Tavares do Livre é outro dos nomes falados que pode possivelmente ajudar António Costa caso o socialista volte a ganhar as eleições mas sem maioria absoluta.

Podemos não saber muito sobre o programa do partido dos animais e da natureza mas ficámos a saber tudo sobre o Zé Albino, a Bala (a cadela liberal) e o Camões (o gato do Livre). Esperemos que quando os deputados tomem posse na Assembleia da República levem os seus companheiros de quatro patas. Claramente ficámos a saber mais sobre eles do que sobre possíveis candidatos a ministros. No lado do PSD, ficámos a saber que Rui Rio poderia entregar o ministério da defesa a Francisco Rodrigues dos Santos, o Chicão do CDS que como carreira militar tem como passagem o colégio da estrada da luz.

Durante a campanha, o PCP sofreu o mesmo mal pelo qual inúmeras equipas de futebol já passaram desde o início da pandemia, num momento tivemos o substituto do substituto. Entretanto, Jerónimo de Sousa já voltou a campanha após a operação pela qual passou. O histórico comunista pretende tirar o PS dos braços da direita. Será que pretende que vá novamente para os braços da esquerda?

Pedro Nuno Santos foi chamado a campanha mas em nome do PS e nunca do de António Costa. Vimos o primeiro-ministro vestido de careto, a pedir uma maioria absoluta (depois de durante anos ter falado mal das mesmas) e apregoar ser o último bastião contra a ascensão do Chega. Em relação ao partido de André Ventura, as sondagens dão o terceiro lugar a esta força política de extrema-direita.

O Chega está empatado com o Bloco de Esquerda e a Iniciativa Liberal. Esta última força política, que pretende ser o comprimido azul dos sociais-democratas, está a ter uma grande aceitação junto aos mais jovens. Os jovens adultos, muitos formados mas que não têm grandes perspectivas de futuro, estão cada vez mais desacreditados com as forças políticas que lideraram o país ao longo de mais de quatro décadas.

A maioria das sondagens dá a vitória ao PS mas estas eleições vão ser renhidas. Não serão as mais renhidas deste século, pois estas foram protagonizadas por Ferro Rodrigues e Durão Barroso, mas claramente a vitória não está certa para ninguém. Rui Rio acha que a probabilidade do PSD ganhar é superior. Já tivemos os sociais-democratas a frente, os socialistas em primeiro lugar (às vezes com uma maior vantagem, outras vezes com menos pontos) e até em empate técnico.

Será que Rio vai tirar a gravata de primeiro-ministro a Costa ou vai voltar para casa, para junto do Zé Albino? Como já disse no meu último artigo de opinião, acho que a grande competição está no terceiro lugar. Nada está decidido até ao dia da votação. Esperemos que esta não seja influenciada devido a pandemia. Os infectados poderão ir votar. Esta saída de casa deverá acontecer ao fim do dia e o governo garante que é segura.

Sobre o cenário parlamentar que se segue após as legislativas, não acredito que haja um partido que ganhe com maioria absoluta. Quem ficar em primeiro terá que ter o apoio de outros partidos. Será que vamos ter uma nova geringonça? Em relação a esquerda, não acredito que esta forma volte. Mais rapidamente o PAN e o Livre pode ser uma «muleta» do PS do que o Bloco de Esquerda e o PCP, que podem ser prejudicados devido ao apoio que prestaram nos últimos anos aos socialistas. Se o grande vencedor for o PSD, o Rui Rio garantiu que poderá se unir ao CDS e ao IL mas jamais ao Chega. Será que o social-democrata pode garantir ou Ventura pode ser uma solução de governo?

O governo saído destas legislativas irá receber o primeiro desembolso do PRR no fim de Abril. O próximo executivo também terá que repensar os apoios sociais, garantir a sustentabilidade da segurança social, aumentar o investimento no SNS, fomentar uma justiça mais célere, desenvolver o país usando os fundos que estão a chegar de Bruxelas, reduzir a carga fiscal que os cidadãos têm que pagar, diminuir a dívida pública e avançar para a regionalização.

De todas as formas, o que importa é demonstrar que a democracia está viva e que depois das eleições possa haver um governo que trabalhe para o desenvolvimento de Portugal e dos habitantes do país.

 

Andreia Rodrigues

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