Drawing Room: Lisboa reabre as portas ao desenho contemporâneo depois de Madrid

Quinta edição do certame na capital portuguesa terminou no último domingo. A feira regressa a Madrid já em fevereiro de 2023

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Artistas, colecionadores, profissionais e entusiastas do desenho rumaram, entre os dias 26 e 30 de outubro, à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) em Lisboa para mais uma edição da Drawing Room. A feira dedicada ao desenho contemporâneo, que também se realiza anualmente em Madrid no mês de fevereiro, voltou a ser o espaço português para a apresentação e comercialização de obras de desenhadores nacionais e internacionais.

Esta quinta edição da feira na capital portuguesa contou, ao todo, com a participação de 23 galerias de arte, em representação de cerca de 70 artistas portugueses e internacionais. Vera Cortês, Filomena Soares, Pedro Cera, Miguel Nabinho, KubikGallery, Presença ou ainda Fonseca Macedo foram algumas das 18 galerias nacionais selecionadas para o encontro, à responsabilidade da espanhola Mónica Álvarez Careaga, diretora da Drawing Room, e do respetivo Comité Consultivo.

A esta representação portuguesa juntou-se ainda a presença de cinco galerias internacionais: a alemã Jahn und Jahn, a galeria Encounter Contemporary – sedeada em Londres – e três espanholas (Galería Siboney, Galería Silvestre e Martínez & Avezuela).

Do país vizinho veio também o Foco da edição, a secção da feira que destaca uma cena artística local a partir de uma breve representação das suas galerias. Santiago de Compostela, o lugar escolhido, fez-se então representar pelas galerias Trinta Arte Contemporánea, Galeria Metro e Luisa Pita, selecionadas pela comissária Asunta Rodríguez.

A par com esta mostra principal, aconteceu também a exposição dos finalistas do Prémio FLAD de Desenho 2022, cujo objetivo é apoiar anualmente a produção e inovação artística em Portugal. A vencedora do galardão da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Maria Capelo, foi dada a conhecer no penúltimo dia da feira e recebeu o prémio pecuniário de 20 mil euros.

A Fundação Millennium BCP, mecenas da Drawing Room Lisboa 2022, e a marca patrocinadora Viarco Portugal também atribuíram prémios durante a feira. Ana Pérez-Quiroga, representada pela NO·NO Gallery, recebeu o III Prémio Projeto Artístico Destacado, e Heron P. Nogueira, representado na feira pela Módulo – Centro Difusor de Arte, recebeu o IV Prémio Aquisição Fundação Millennium BCP – Talento Emergente. Já o Prémio Projeto Curatorial Galeria foi entregue à Fonseca Macedo, galeria portuguesa sediada nos Açores, e António Neves Nobre (Galeria 3+1 Arte Contemporânea) recebeu o V Prémio Novo Talento Desenho.

Houve ainda espaço no evento para uma secção editorial com livros de artista e edições em múltiplos e catálogos, no primeiro andar da SNBA, e uma série de conversas com foco no desenho, organizadas por Maria do Mar Fazenda: as Millennium Art Talks. Emília Ferreira, diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, o curador Nuno Faria e os artistas Cristina Robalo e Rui Sanches foram alguns dos oradores das conferências.

 

Uma feira ibérica que celebra o desenho contemporâneo

Mónica Álvarez Careaga, diretora da Drawing Room, é uma das mentoras deste certame que cruza Portugal e Espanha nos caminhos do desenho contemporâneo. Historiadora de arte pela Universidade de Oviedo e museóloga pela École du Louvre, de Paris, o seu trajeto profissional inclui a organização de vários festivais, exposições e feiras de arte contemporânea, para além do trabalho enquanto comissária de arte em exposições individuais e coletivas em Espanha, Portugal, China, Japão, entre outros países.

Em conversa com o EL TRAPEZIO, Careaga explica que a ideia da Drawing Room surgiu da “vontade de vários galeristas de criar uma feira de arte contemporânea” complementar à ARCO em Madrid, “muito cara e de difícil acesso”. “E já que, em Madrid, também existe uma cena artística muito poderosa, com vários eventos, quisemos aproveitar esta sinergia”.

Em 2016, realizou-se então a primeira edição da feira na capital espanhola. “Um êxito, especialmente de crítica”, salienta. O que lhe permitiu “pensar, dois anos depois, em vir para Lisboa e montar aquela que, à data, era a irmã menor da feira de Madrid”.

Hoje, diz, já não é assim; a feira lisboeta conseguiu “ganhar em qualidade, em presença e em importância, contribuindo em muito para a cena artística portuguesa”. No mês de outubro, “as pessoas do mundo das artes visuais – os artistas, os galeristas, os colecionadores – já nos esperam. Esperam o regresso da Drawing Room, nesta sede da Sociedade Nacional das Belas Artes que é maravilhosa, onde nos sentimos muito cómodos e as obras se iluminam”, afirma, sublinhando que esta quinta mostra “é uma edição de aniversário, de celebração pelas feiras já feitas e por aquelas que ainda virão”.

Realizá-la em Lisboa e em Madrid? Não é um mero acaso. “De 2005 a 2011 colaborei com a ARTELisboa, que acontecia na Feira Internacional de Lisboa, por isso já conhecia o mundo artístico português. E por ter sido tão feliz a trabalhar em Portugal, pensei que, depois do êxito da feira em Madrid, em Lisboa seria ainda melhor”.

Daí que a vinda do evento para Portugal tenha sido “mais por questões pessoais do que por estratégia”, diz Careaga. Mas, ainda assim, a diretora acredita na importância desta relação ibérica. “Os artistas portugueses, em geral, interessam muito às coleções e museus espanhóis, e vice-versa”. Ainda que, “apesar deste interesse mútuo”, considere que o interesse pelo lado espanhol seja “um pouco maior”.

“De um modo geral, o conhecimento de Espanha pelos portugueses é maior, mas no mundo do desenho não é assim. Os artistas portugueses têm em Espanha um grande prestígio”, admite. E dá exemplos. “Pedro Cadavez, Pedro Cabrita Reis, ou artistas que já faleceram como Helena Almeida, Lourdes Castro e Paula Rego. Se dizes esses nomes em Espanha, há reverência pelo seu trabalho”.

Por isso, a curadora continua a apostar neste projeto, que voltará e a Lisboa e à SNBA, “em princípio, por volta da segunda quinzena de outubro” do próximo ano. Em Madrid, a oitava edição realiza-se já em fevereiro, mas ainda não se sabe o local. A edição deste ano, contudo, teve lugar no Palacio de las Alhajas, entre os dias 23 e 27 de fevereiro.

(Créditos fotos: Iara Duque)

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