Festival Imaterial: de Évora ao México, a música é do mundo

De 19 a 27 de maio, a futura Capital Europeia da Cultura (em 2027) acolhe concertos, conferências, cinema e passeios pelo património. A apresentação do festival acontece já na próxima terça-feira

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Em Évora, no coração do Alentejo, está tudo a postos para a terceira edição do Festival Imaterial. Uma vez mais, o propósito é dar visibilidade e homenagear a diversidade e identidade das músicas com raízes tradicionais, a par com a novidade das propostas trazidas pelas gerações mais jovens. De Portugal, mas também com um pé noutras regiões do mundo, como Espanha, México, Burkina Faso, Geórgia ou Marrocos.

Em celebração pelos 20 anos da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, a Câmara Municipal de Évora e a Fundação Inatel propõem um evento “com imagem renovada e um programa que pretende celebrar o Imaterial como ponto de encontro do passado, presente e futuro”, apresenta o comunicado da organização. Cruzando a programação musical com uma série de “ofertas culturais diversificadas”, desde o cinema documental a conversas e passeios pelo património.

Depois de duas edições consecutivas em que o festival acolheu um encontro ibérico de música, “pensado para destacar o mundo criativo musical” da península, o foco deste ano é alargar o espetro a outras paragens. Carlos Seixas, diretor artístico do Imaterial, esclareceu ao EL TRAPEZIO que a ideia foi fazer “uma pausa” para refletir “sobre o que não se fez e para discutir o que poderemos construir no futuro”.

Uma transformação que pode passar por aprofundar algumas questões relevantes para o setor: “Queremos que o Encontro Ibérico de Música não seja só apresentar artistas dos vários povos, mas inclua também um vasto programa de discussão de temas caros às nossas instituições, artistas e profissionais, como a internacionalização, a afirmação cultural e os problemas atuais inerentes, parcerias entre regiões e residências artísticas”.

“Temos muito em comum e queremos expressá-lo assumindo um compromisso”, disse ainda o responsável. O primeiro passo nesse sentido está dado pelo convite feito a artistas ibero-americanos que atuam já nesta edição: a mexicana Silvana Estrada e a extremenha La Kaita. “São mulheres artistas que, embora de gerações distintas e estéticas diferentes, conseguem transmitir sensações de liberdade e sentimentos genuínos do seu mundo de pertença”, destacou Seixas.

A estas artistas da música atual juntam-se outros nomes também distintos, incluindo os portugueses Ana Lua Caiano, que cruza a tradição com a eletrónica do presente, e os Ganhões de Castro Verde, a representar o cante alentejano. “O mote pelo qual o Imaterial foi criado em terras do Alentejo”, afirma o diretor, “e com o imaginário que a força do coletivo nos proporciona”. Desta forma, é possível mostrar-se ao mesmo tempo “a visão cosmopolita de uma jovem criadora” e a interpretação de um estilo tradicional, “para que o cante não se esqueça de crescer para fora e não para dentro”.

Curiosamente, não será só a “nossa” Ibéria a estar em evidência no festival. Da Geórgia oriental, a outra Ibéria, chegam os Iberi Choir, trazendo consigo um património imaterial próprio com aproximações à identidade hispano-lusa, admite Seixas. “Poderia falar das polifonias, da força dos coletivos, da partilha da tradição oral à volta da mesa, dos petiscos e do vinho”. Este último muito importante na cultura georgiana, uma vez que foi naquele país “onde [o vinho] começou com as talhas de barro, que são tão comuns no Alentejo”, acrescenta.

A terceira edição do Festival Imaterial realiza-se entre 19 e 27 de maio e resulta de uma coprodução entre a Câmara Municipal de Évora e a Fundação Inatel. Toda a programação do festival é de acesso gratuito e tem lugar na Sé Catedral de Évora e no Teatro Garcia de Resende, entre outros espaços da cidade.

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