José Eduardo Agualusa e Mia Couto foram ao Kosmopolis debater sobre a importância da história africana

A dupla dos autores da África lusófona ressaltou em Barcelona a importância de ter mais do que um olhar

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Os autores José Eduardo Agualusa e Mia Couto participaram no Kosmopolis, que decorreu em Barcelona, marcando presença numa conversa moderada pela jornalista Tania Adam e onde abordarem as respectivas carreiras e falaram sobre como a literatura materializa o passado africano não só do ponto de vista das potências europeias mas também dos povos de África. Neste debate os dois autores, que também têm obras traduzidas para espanhol e catalão, a realidade, a ficção, o sonho e as recordações foram algumas das palavras de ordem.

Para Mia Couto, uma das mais importantes vozes da literatura lusófona e africana, é muito difícil fazer uma linha entre quem está nos diferentes lados da história de um continente marcado pela escravatura e guerras civis. O autor natural da Beira, a segunda maior cidade de Moçambique, relembrou que para se construir um país é necessário ter memória mas também se deve esquecer muitas coisas.

«A importância de olhar a história na perspectiva africana é o que nos move», afirmou o jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa. No livro «A Rainha Ginga», que em Portugal faz parte do plano de leitura, a história de Angola e desta mulher fascinante é apresentada usando diversas vozes que acabam por demonstrar que mesmo de lados diferentes as visões acabavam por ter pontos em comum. Esta história em comum também pode ser vista actualmente com a presença de um neto do penúltimo rei em Moçambique ou dos descendentes do Gungunhana (último Imperador de Gaza, que actualmente faz parte do território moçambicano).

«Não há uma verdade. Há versões. Nós vamos criando as nossas próprias memórias. Muitas das nossas memórias são criações e por isso são frágeis», disse Agualusa que também reforçou que cada um de nós tem uma história para contar. A fragilidade das nossas memórias, dos nossos sonhos, também é referida por Mia Couto que considera que «a mentira tem pretensão de ser verdade». Durante a animada conversa, o escritor oriundo de Moçambique contou que chegou a inventar sonhos e que estes não eram falsos pois a «verdade tem várias matizes».

A XI edição do festival de literatura Kosmopolis de Barcelona teve como ênfase a ficção científica como género que atravessa fronteiras e tradições.

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