O Pará brasileiro é Portugal: cidades homônimas

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Portugal deixou um grande legado na América do Sul. Uma colonização de cerca de 300 anos é uma herança cultural definitiva. O idioma, a religião, o direito, a idiossincrasia do Brasil está marcada por seu passado ibérico.

Você provavelmente já ouviu o nome de uma cidade e, quando percebeu se tratava-se de um lugar diferente do que imaginava a princípio, estando localizada em outro país, a milhares de quilómetros.

São as chamadas cidades homônimas. Esse fato curioso pode ser comum de acontecer entre países da Europa e da América do Sul, já que muitas cidades foram colonizadas pelos mesmos povos ou serviram de inspirações para a criação de outras.

É o caso do Brasil e Portugal, já que ao longo dos mais de 500 anos de história compartilhada entre ambos países, alguns dos portugueses que emigraram para o Brasil fundaram novas cidades. E, talvez por sentirem saudades da pátria mãe ou para fazerem uma homenagem ao seu local de origem e nascimento, acabaram por batizar cidades no brasil com nomes idênticos a cidades portuguesas.

A respeito disso, o Estado do Pará, localizado no norte do Brasil, é, provavelmente, o Estado com maior número de cidades com o mesmo nome de cidades portuguesas. A maioria destas cidades é bastante pequena, a maior será Santarém, no estado do Pará, com cerca de 250 mil habitantes. Mas Chaves, também no Pará, possui apenas 4 mil pessoas.

Vejamos um comparativo entre o Estado do Pará e o país Portugal.

Dos 144 municípios paraenses, 23 possuem o mesmo nome de localidades-cidades portuguesas.

São elas:

  • ALENQUER
  • ALMEIRIM
  • ALTER DO CHÃO-SANTAREM- (destaque para a foto)
  • AVEIRO
  • BARCARENA
  • BEJA
  • BELÉM
  • BRAGANÇA
  • CHAVES
  • FARO
  • MELGAÇO
  • MONTE ALEGRE
  • NAZARÉ
  • ÓBIDOS
  • ODIVELAS (PORTUGAL) – SÃO CAETANO DE ODIVELAS (PARÁ)
  • OEIRAS
  • OURÉM
  • PORTO DE MÓS
  • SALVATERRA
  • SANTARÉM
  • SOURE
  • VILA DO CONDE
  • VISEU

Uma das explicações para o alto número de cidades com nome igual também é o modo de povoação. O processo de formação territorial no estado do Pará deu-se em grande parte por meio dos portugueses, através de ocupações militares e missões religiosas.

A própria fundação da capital do Pará, Belém (também homônima de uma localidade de Portugal) em 1616, foi resultado desse contexto com a construção do forte do Presépio na foz do rio Amazonas.

Também podemos citar a nossa Bragança paraense, criada em 1663, a quarta criada no território paraense, embora suas origens remontem ao ano de 1622, antes das fundações das vilas de Cametá (1634) e de Gurupá (1639).

Um dos fatores mais importantes para criação destas cidades foi quando a coroa portuguesa, ao enfrentar uma grave crise econômica, em meados do século XVIII, deixou o Marquês de Pombal, primeiro conde de Oeiras (em Portugal), como responsável por implantar um vasto programa de reformas sociais, políticas e econômicas.

Dentre elas, havia uma política instituída em transformar nomes de aldeias indígenas (ou vila que denominações indígenas) em nomes de localidades portuguesas. Nessa época, o marques de Pombal chegou a expulsar os jesuítas e suas as missões.

No decorrer do século XVIII foram fundadas 62 freguesias, a maioria delas atrelada às missões e aldeias administradas pelos missionários religiosos.

As localidades são Aveiro, fundada em 1751; Ourém, de 1752; Soure, de 1757; e Alenquer, Almeirim, Chaves, Faro, Melgaço, Óbidos, Oeiras, Portel, Santarém, fundadas em 1758. Viseu até 1856 pertencia ao território de Bragança.

Até meados do século XIX, a influência dos portugueses na vida econômica e política paraense era tão forte que o processo de independência do Brasil, oficializado em 1822, não foi reconhecido pela então Província do Grão-Pará. A adesão à independência só viria a ocorrer um ano mais tarde, no dia 15 de agosto de 1823.

Curiosamente, não existem cidades brasileiras apenas com nomes de cidades portuguesas, sendo que o país conta ainda com homônimas de cidades famosas no mundo.

É possível, por exemplo, conhecer Barcelona (Estado do Rio Grande do Norte), Buenos Aires (Estado do Pernambuco) e Nova Iorque (Estado do Maranhão) sem ter que viajar para fora do Brasil. Também não é necessário tirar passaporte para visitar “países” como Costa Rica, Tailândia e Colômbia.

Acredito que para a maioria dos portugueses deve ser motivo de orgulho saber que os nomes das suas cidades foram copiados no Brasil, seja pelos seus antepassados ou irmãos brasileiros. Para os brasileiros, principalmente os que vivem nestas localidades, devem considerar o nome do lugar como uma herança cultural imaterial deixada pelos nossos irmãos portugueses.

Estas cidades brasileiras homónimas de cidades portuguesas são apenas mais uma prova de que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.

De qualquer forma, com este artigo também quero despertar nos portugueses o interesse pelas cidades-irmãs, fazendo um convite para que conheçam essas localidades, o que não deixa de ser um mais motivo para viajar e visitar esse grande país que é o Brasil.

O mesmo posso dizer aos meus compatriotas brasileiros, que visitem Portugal e conheçam nossas origens, é recompensador ver com seus próprios olhos como tudo iniciou, o intercâmbio nos dois lugares deve ser ampliado ainda mais nos âmbitos cultural, social e econômico.

 

Lorena Luciana Santos

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