Ser iberista não significa não ter orgulho em Portugal

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Se eu tivesse condições para viver em Portugal, teria muito gosto em voltar. Se não volto, não é porque não tenha vontade, e certamente não é porque tenha vergonha das minhas origens, mas simplesmente porque preciso de estar noutro lugar. O facto de estar fora de Portugal não significa que não leve comigo tudo o que em Portugal aprendi e vivi. O facto de viver em Espanha não significa que Portugal não tenha interesse. O facto de trabalhar como professor de português é, em parte, a minha tentativa não só de retribuir tudo o que Portugal fez por mim, mas também uma forma de fazer um uso regular da língua portuguesa, evitando portanto a natural tendência a esquecê-la. Aliás, é também um esforço no sentido de promover a cultura portuguesa precisamente onde ela mais precisa de ser promovida, reconhecida e respeitada: no país dos nuestros hermanos.

Imagino que possa ser confuso, para os mais nacionalistas, que alguém queira ser iberista. Imagino que pensem que tenho vergonha de ser português e quero ser alguma coisa diferente. Mas ter vindo para Espanha não me fez esquecer Portugal; muito pelo contrário. Estar aqui fez-me compreender que havia, e ainda há, tantas coisas em Portugal que não conheço bem e às quais não soube antes dar o devido valor: a história, a geografia, a música, a poesia… Estar aqui fez-me amar Portugal MAIS, não menos. Compreendi que, para poder verdadeiramente ensinar português, não basta ter conhecimentos técnicos do idioma, mas também conhecer, o mais intimamente possível, todo o contexto cultural, histórico e social que dá origem a esse idioma.

Então, se amo Portugal, porquê ser iberista? Já disse muitas vezes e continuarei a dizê-lo: o iberismo é um movimento contrário ao ódio. É a aceitação das diferenças de um povo irmão. É o convite à coexistência pacífica das culturas, sem que uma anule a outra. É a rejeição de tudo aquilo que nos afastou no passado, sem contudo esquecer as lições dolorosas que aprendemos com a história. É o perdão. É a concórdia. É a paz. E quando o mundo inteiro parece estar sedento de guerras e ódio e fascismo e violência, escolher o caminho contrário quiçá pareça estranho. Porquê? Porque o mundo está viciado em toda essa negatividade. Precisa dela como de ar para respirar. Só sabe responder aos problemas com raiva e ódio. E eu recuso-me a acompanhar quem vai por esse caminho.

Digam o que quiserem de mim, mas se acham que podem dizer que eu não amo Portugal, então digam-me o que é que vocês fazem por Portugal. Defendem-no, como? Promovem-no, como? Dão a conhecê-lo? Fazem o maior dos vossos esforços para que os espanhóis gostem cada vez mais de nós? Ou vocês são apenas aquele tipo de gente que passa a vida a dizer mal de tudo e todos, incluindo da vida que têm em Portugal, e dos vossos vizinhos que são tão portugueses como vocês? Se acham que o meu amor por Portugal não é genuíno, venham vocês cá ser professores de português. Venham vocês cá fazer alguma coisa para fazer Portugal ser mais conhecido e respeitado. Quanto a mim, estou a fazer o que posso, mesmo que haja quem não compreende.

 

João Pedro Baltazar Lázaro

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