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Para o autarca de Vilar Formoso, Manuel Gomes, a situação é clara: “A pandemia fez-nos ver que sem os espanhóis não podemos viver e sem os portugueses Fuentes de Oñoro não pode viver”, defende numa entrevista com a Efe.

Nesta fronteira há um sentimento comum de “cidadãos da Raia”, porque os habitantes de ambos países “partilham famílias, ruas, trabalho e é necessário que estejamos unidos”, argumenta Gomes sobre a necessidade de avançar rumo à “Porta da Europa”.

Um dos problemas da Raia é que os seus territórios “estão longe das decisões políticas”, lamenta Isidoro Alanís, autarca de Fuentes de Oñoro, que assegura que esta eurocidade nasce para “promover espaços empresariais, que gere postos de trabalho e fixe população, já que, caso contrário, “corremos o risco que esta zona desapareça em dez anos”.

Alanís ressalta que “se pode criar uma região económica importante”, já que têm potencial suficiente, especialmente com a sua localização estratégica.

Uma cidade visível

Os habitantes desta região fronteiriça consideram necessária a criação da figura de “cidadão da Raia”, como explica à Efe Vítor Nascimento, um português casado com uma espanhola, residente em Ciudad Rodrigo e monitor desportivo nas piscinas municipais de Vilar Formoso.

“Seria importante que se criasse esse cidadão raiano, se querem fazer uma cidade única devia haver um cidadão único, que não haja essas diferenças, já que a 50 metros passas a ser outro cidadão”, argumenta Nascimento.

António Machado, autarca de Almeida, assegura à Efe que a chave passa por “dar oportunidades à população” desta região transfronteiriça e criar “uma cidade visível” entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro, a par de construir um território entre as localidades de Ciudad Rodrigo e Almeida com uma oferta comum.

O primeiro passo desta instituição será trabalhar para que a população “se senta eurocidadã” e depois unificar projetos entre ambos municípios para que sejam apoiados pelos Governos e a UE, avança o autarca de Almeida.

Un lobby raiano

Para Marcos Iglesias, autarca de Ciudad Rodrigo, a chave para impulsionar a Raia luso-espanhola passa por uma “aproximação à Europa”, motivo pelo qual foi criada a eurocidade, para “obter investimentos e prestar mais serviços públicos” em benefício dos seus habitantes.

O autarca espanhol considera importante “este lobby raiano para pressionar as instituições, para que acreditem e apostem (na fronteira) com investimentos e recursos” no território da eurocidade “Porta da Europa”.

Machado conclui os seus argumentos que justificam um território comum recordando que em março, quando foram fechadas as fronteiras, houve “um sentimento que não tinha existido até agora, já que não havia vida nem em Fuentes de Oñoro nem em Vilar Formoso; e ao abri-las em julho chegou a vida novamente”.

Os habitantes da fronteira luso-espanhola e os seus governantes estão de acordo: o futuro da Raia passa por desenvolver projetos conjuntos, sem importar o país de origem.

A sociedade civil raiana de Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro criou uma Frente Cívica no Facebook.