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Contactada pela Lusa, fonte oficial indicou hoje que “ainda não há evolução sobre esta situação” e que continuam em curso as conversações com a transportadora ferroviária espanhola Renfe sobre a retoma das ligações Lisboa-Madrid (comboio Lusitânia) e Lisboa-Hendaye (comboio Sud Expresso) e que não há uma data para a retoma, a mesma informação dada há duas semanas.

Em maio, a Renfe disse que “não prevê voltar a colocar em serviço a curto prazo os serviços de comboio-hotel”.

Tendo em conta a previsão de “lenta evolução” da procura no mercado espanhol, depois da paragem provocada pelo confinamento devido ao novo coronavírus, “a Renfe vai recuperar a sua oferta de comboios dando prioridade aos serviços que lhe possam dar taxas de ocupação mais elevadas”, acrescentou a empresa espanhola.

A Renfe afirmou que no último exercício orçamental houve perdas acumuladas de 25 milhões de euros com o serviço de comboio hotel, que inclui duas ligações nacionais (Madrid-Corunha-Pontevedra-Ferrol e Barcelona-Corunha-Vigo) e uma internacional (Madrid-Lisboa).

A associação ambientalista Zero manifestou então a sua preocupação com o anúncio da espanhola Renfe de não retomar proximamente o comboio hotel entre Lisboa e Madrid, “a única ligação ferroviária entre as duas capitais”, e apelou aos dois governos para que “cooperem por forma a não deixarem terminar o serviço e perspetivem uma ligação rápida e adequada num futuro próximo”.

“É fundamental manter a ferrovia como uma alternativa para Madrid, isto tendo em conta a procura e a necessidade de reduzir os ‘slots’ ocupados por um dos principais destinos a partir do aeroporto de Lisboa e de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao transporte aéreo”, afirmou a Zero.

A Zero considerou “inaceitável falta de articulação sobre a política ferroviária entre os dois países, em particular entre as duas capitais”, pois, “em concreto, o fim da ligação Madrid-Lisboa poderá construir o fim de uma alternativa menos poluidora para este trajeto e uma maior dependência do transporte aéreo”.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e Habitação remeteu explicações sobre a retoma dos comboios Lusitânia e Sud Expresso para as dadas pela CP.

Quanto a ligação Porto — Vigo (comboio Celta) foi retomada em 16 de agosto, segundo informação da CP, com “uma ligação diária por sentido”, quando no período antes da pandemia havia duas ligações por sentido.

Segundo a CP, “a procura tem sido muito baixa, uma quebra da ordem dos 75 a 80%”, ainda que o tempo decorrido desde a retoma da ligação seja curto.