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A Universidade de Comillas de Madrid acolheu o primeiro Fórum de Políticas, Multilinguismo e Multiculturalismo, coordenado por Nadia Rodríguez e que teve o apoio da Organização dos Estados Ibero-Americanos, da Real Academia Espanhola da Língua e da Universidade de Bordéus.

Inés Fernández-Ordoñez, em representação da RAE, fez uma exposição sobre o processo de construção da língua castelhana. Por parte da OEI, a directora-geral do Bilinguismo, Ana Paula Laborinho, destacou, na sua conferência, que “valorizar as línguas é valorizar os povos que as falam”. Também declarou que “a importância económica da proximidade do espanhol e do português, não só linguística mas também cultural”. Sobre este aspecto indicou que “alivia os custos indirectos que as empresas suportam quando entram em novos mercados”. Segundo os estudos estes custos são elevados em 20%. Laborinho fez também referência às acções desenvolvidas pela OEI, como as escolas fronteiriças na fronteira entre Espanha e Portugal e a Conferência das Línguas Espanhola e Portuguesa, que se realizou em Lisboa em 2019 e que significou a abertura de um caminho para o trabalho conjunto das línguas ibéricas.

O professor Agresti Giovanni, da Universidade Montaigne de Bordeaux, proferiu uma apresentação sobre os direitos linguísticos, salientando que existem três tipos: “os primeiros referem-se aos direitos fundamentais (não discriminação linguística) e são acompanhados de deveres linguísticos (conhecimento da língua do país), os segundos são os direitos das minorias e estes últimos consistem no reconhecimento, mesmo parcial, dos direitos linguísticos dos estrangeiros”. Agresti referiu-se aos diferentes modelos linguísticos na Europa, com conceitos como “língua própria” usada na Espanha, “minorias linguísticas” usada na Itália e “línguas regionais” usadas na França, levando a diferentes considerações sobre as línguas faladas no país.

No período de perguntas e respostas, as questões levantadas pela audiência levaram a sublinhar que o mundo vai caminhar para um modelo multilingue, apesar da preponderância da língua franca global que é o inglês. A ideia de intercompreensão entre línguas próximas, como o espanhol e o português, o latim em geral, foi novamente destacada. Ana Paula Laborinho citou o curso de intercompreensão, que está a ser desenvolvido pela OEI, e Inés Fernández-Ordoñez o modelo de compreensão entre línguas que permite a cada interlocutor expressar-se na sua própria língua pode ser o futuro do multilinguismo. A discussão final foi moderada pelo Professor Pablo Biderbost.