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Em casa há mais de um mês, o período de quarentena dos dois povos ibéricos está a ser gasto de actividades tão díspares como ajudar os filhos na escola, ver televisão ou ler livros. O mercado das artes, e principalmente o livreiro, tem sido um dos mais prejudicados e uma boa parte das livrarias mais pequenas correm o risco de fechar as suas portas devido ao corte do fluxo de negócios que sempre foi complicado e agora torna-se quase impossível se não apostou-se na migração com lojas online onde se podem fazer encomendas (o que é de aproveitar pois os portes de envio foram suspensos desde o anúncio do Estado de Emergência).

Para além do bom e velho papel, que pode ser folheado as vezes que quiser, os PDFs disponíveis online estão a salvar os dias daqueles que já leram todos os livros que tinham em casa e procuram novas aventuras para ler sem terem que sair do conforto do lar. As apostas são muitas e variadas mas seguindo a temática do “é nacional, é bom”, decidi fazer um pequeno compêndio com cinco autores portugueses e espanhóis que deve conhecer (se ainda não os conhece) pois estar fechado em casa não tem que ser assim tão mau.

Portugal

Valter Hugo Mãe: Este jovem autor, que apenas tem 48 anos, nasceu em Angola mas é um dos mais importantes da actualidade, tendo uma grande base de fãs no Brasil. Um dos livros que deve ler é “A Máquina de fazer espanhóis”.

Luiz Vaz de Camões: O mestre das letras portuguesas é imperativo para reler nesta Quarentena. Se estiver com os miúdos em casa, vai ter inúmeras oportunidades para reler “Os Lusíadas”. A obra épica que relata os feitos portugueses poderá atribui-lhe algum ânimo para aguentar aqueles dias mais complicados.

Fernando Pessoa: Para mim é o segundo melhor autor português, só atrás de Camões. Com os seus variados heterónimos terá muito para ler mas a parte final da “Mensagem”, onde é referido o “Quinto Império”, pode ser vista como profética para o mundo que virá após o fim da Covid-19.

José Saramago: Saramago é provavelmente o autor português mais reconhecido no estrangeiro e do Prémio Nobel da Literatura destaco “A Jangada de Pedra”, onde é contada a separação ficcional da Península Ibérica do resto da Europa. Será que isto poderá mesmo acontecer?

António Lobo Antunes: Lobo Antunes já ganhou os maiores prémios da literatura nacional mas sempre foi uma figura algo polémica. Do escritor e psiquiatra português destaco a obra “O esplendor de Portugal”, que descreve o ambiente vivido em Angola momentos antes da independência.

Espanha

Miguel Cervantes: Se falei de Camões, não podia deixar de falar do grande outro autor da Península Ibérica. De Cervantes, “Don Quijote” é uma história que muitos de nós (se não a maioria) conhece mas deve ser relida neste período em casa onde não custa nada sonhar.

Isabel Allende: A chilena foi uma das primeiras autoras em língua espanhola com quem tomei conhecimento e os seus livros acompanharam-me durante um verão inteiro, período em que não podia sair de casa pois tinha sido operada. Sobre as suas obras, a primeira que li foi “A Casa dos Espíritos”, que acabou por se tornar num filme.

Gabriel Garcia Márquez: Tal como Saramago, Garcia Márquez também é Prémio Nobel e quando falamos de autores em língua espanhola é um dos primeiros a nos vir a cabeça. “O Amor nos Tempos de Cólera” é uma obra dedicada aos românticos incuráveis que por ai andam.

Arturo Perez-Reverte: Depois de Allende, o novelista e jornalista espanhol é um dos meus favoritos. “A Rainha do Sul”, que foi adaptado para a televisão com a actriz mexicana Kate del Castillo como protagonista, é um livro muitíssimo interessante e que demonstra a fragilidade humana e o papel da mulher no submundo do crime.

Mario Vargas llosa: Para quem acha que estamos em “guerra”, o peruano escreveu, em 1981, “A Guerra do Fim do Mundo”. Este romance mescla personagens fictícios com os factos verídicos da Guerra dos Canudos, do Sertão brasileiro.