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Moreno aproveitou viagem a Portugal para intensificar a criação de uma frente comum sustentada por alicerces que vão de uma estratégia comum na pesca, incêndios, ligações ferroviárias e turismo à aliança ibero-atlântica, uma plataforma política e económica que servirá para unir definitivamente Andaluzia, Galiza e Portugal na defesa de projetos comuns no âmbito da União Europeia.

As trocas comerciais entre Andaluzia e Portugal foram de cerca de 1500 milhões de euros no último ano, um número repetido por Juan Manuel Moreno, presidente do governo da Andaluzia, que aproveitou a viagem oficial de dois dias a Portugal para melhorar as relações comerciais e intensificar a criação de uma forte frente comum nos mais variados setores. Conseguir arrecadar mais fundos europeus, as ligações ferroviárias e rodoviárias, a união dos portos para uma fachada marítima de peso, criar uma marca turística comum para atrair investimentos e definir posições na pesca são apenas algumas das prioridades que ficam definidas entre países irmãos “com interesses comuns”.

A verdade é que, entre Lisboa e Faro, Moreno teve oportunidade para tocar em todos os pontos, nomeadamente, insistir na grande importância que tem a aliança ibero-Atlântica, uma plataforma política e económica que servirá para unir definitivamente Andaluzia, Galiza e Portugal na defesa de projetos no âmbito da União Europeia. Também a necessidade de reforçar a Eurorregião Alentejo-Algarve-Andaluzia junto de Bruxelas foi colocada em cima da mesa, assim como o anúncio de que irá pedir para ser Andaluzia a receber a Cimeira Ibérica Espanha-Portugal em 2021.

O objetivo de tudo isto? Morena explica. “É melhorar as relações comerciais, melhorar esse vínculo, reforçá-lo, e aproveitar também para reforçar o vínculo entre a região do Alentejo e do Algarve e a Andaluzia. Portugal e a Andaluzia têm setores estratégicos fundamentais que são comuns, como o agro-alimentar”, deixou claro, acrescentando que a procura de projetos conjuntos para captar fundos da União Europeia também é uma prioridade máxima. Neste ponto, o presidente do governo da Andaluzia, a mais populosa região espanhola, conta com o total apoio da ministra portuguesa da Coesão Territorial. Apesar de não ter avançado com valores, Ana Abrunhosa evidencia que a cooperação transfronteiriça, com vista à atualização da estratégia da eurorregião Alentejo-Algarve-Andaluzia, exige uma estratégia que “tenha em conta os novos desafios de competitividade, nomeadamente, as questões ambientais de gestão de recursos hídricos, as questões das ligações quer ferroviárias, quer rodoviárias”.

Uma estratégia transfronteiriça “de mãos dadas” está, aliás, na mira de todos. Pedro Siza, ministro da Economia e da Transição Digital, que também esteve com Moreno, garante que as relações terão sempre de transcender diferenças políticas. Mais do que pensar em partidos de esquerda ou direita, Pedro Siza garante que, “se as coisas correrem bem em Espanha, também correrão sempre melhor em Portugal”.

Depois do fórum empresarial, em Lisboa, Moreno seguiu para Faro, onde quis dar seguimento aos “séculos de história em comum, tradições”, interesses e objetivos comuns, através da defesa da aliança ibero-atlântica na Europa. “Em tempos de urgência e necessidade, estas três regiões estarão sempre lá umas para as outras, após mais de 20 anos de projetos em comum”, esclareceu, acrescentando que se trata da abertura de “uma nova etapa” para aproveitar o novo quadro europeu 2021-2027 e que estas são algumas das linhas de colaboração estáveis. “Temos que saber jogar bem as nossas cartas diante da Europa”, garante, introduzindo na agenda, por exemplo, a urgência de um combate de incêndios eficiente.