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Pedro Calapez (Lisboa, 1951), expus pela primeira vez em Espanha em 1986, na ARCO. Desde então, o pintor participou em numerosas exibições, coletivas e individuais, e algumas das suas obras formam parte das coleções de vários museus espanhóis, entre eles o Reina Sofia. O destacado representante da pintura contemporânea lusa da a conhecer os seus novos trabalhos, realizados nos últimos oito meses, e fala deles com O TRAPÉZIO.

O quê encontramos nesta exposição?

A maioria dos trabalhos são inéditos, pinturas que usam o alumínio como base. O registro de uma boa parte das peças +e o tradicional, mas também apresento telas e papéis pintados a óleo. É o meu trabalho normal, as minhas preocupações normais.

Mas num ano que não tem sido normal

Sim, eu passei o primeiro mês do confinamento a arrumar coisas e depois regressei ao trabalho. Os meus dois assistentes ficaram em casa e trabalhei muito sozinho. Além disso as exposições em museus adiaram-se.

Em quê momento encontra-se a sua obra?

Vejo-a como um contínuo, faço pintura e os temas tem muito a ver com o fato de estar a trabalhar num espaço que desafia ao olhar. O olhar se transforma. O trabalho do artistas é um trabalho de olhares.

Os temas são diferentes, mudam, tive épocas mais centradas no desenho de espaços, na arquitetura. Nesta exibição as peças são individuais que se veem uma a uma.

A montagem é fundamental para a sua obra. Por quê?

O espaço sem nada é um espaço visual e quando se põe alguma coisa se transforma para a sua leitura. Tens uma perceção diferente. Estudei o plano da galeria para decidir o lugar de cada obra.

Como impactam s suas obras no público?

O artista trabalha para sim próprio mas é importante saber que vai ter um outro olhar. Esses outros olhares estão convocados no ato de pintar.

As obras promovem diálogos, está a ser uma comunidade, dos uns com os outros. Um artista não consegue estar afastado do mundo, é o nosso encontro com o outro.

Os trabalhos que apresento são abstratos mas quando as pessoas olham com atenção, com o tempo descobrem discrepâncias que aparecem dentro da pintura. Há desequilíbrios, contrastes que se descobrem com o olhar físico. A pintura tem a missão de nos lembrar que está aqui, precisa do contacto visual.

Já passaram mais de 30 anos desde que expus pela primeira vez em Espanha. Como foi a sua relação com o público espanhol?

Estive na ARCO em 1986 pela primeira vez, participei em várias digressões oficiais nos anos 80 e entrei no MAAC de Badajoz. Mas o que realmente permitiu-me dar a conhecer o meu trabalho em Espanha, foi o Prémio de Desenho da Fundació Pilar i Joan Miró, de Maiorca, em 1995. A partir de então as galerias e colecionadores, que conhecem o meu trabalho. Também foi importante a minha habitual presença na ARCO e a adquisição de uma das minhas obras pelo Museu Reina Sofia. Uma das minhas peças foi selecionada para estar presente na próxima edição de ARCO, em julho de 2021, com a Galeria Fernando Pradilla.

 


 

Pedro Calapez, um dos grandes pintores portugueses

Com o título Com uma nuvem no meio, Pedro Calapez junta uma seleção de pinturas sobre tela de pintura, papel e alumínio. “Pedro é um dos grandes pintores portugueses, muito conhecido em Espanha, onde sempre esteve representado. É um dos grandes renovadores da cena pictórica, grande investigador das correntes dos anos 70”, explica Elena Fernández Manrique, diretora da Galeria Fernando Pradillo, situada na rua Claudio Coello, 20, de Madrid. Da sua obra destaca “a sua cor, a composição, a forma e a estrutura e o suporte”. Lembra que com o uso do alumínio, “quebra a superfície pictórica”. Uma exposição que estará aberta ao público até o 12 de dezembro e onde “se pode ver a Pedro Calapez no seu esplendor, se podem ver os elementos que o definem”.