Autarca de Valladolid: “A próxima Cimeira Ibérica deveria abordar uma agenda para criar sem medos um Ente Ibérico”

O TRAPÉZIO entrevistou o presidente da Câmara de Valladolid a raiz do seu apoio ao Iberolux de Rui Moreira

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O presidente da Câmara de Valladolid, em declarações exclusivas ao TRAPÉZIO, afirmou que “é nestes momentos que a ideia de uma união ibérica parece mais possível e oportuna que nunca”. Óscar Puente defende a proposta lançada, em fevereiro, pelo seu homólogo da cidade do Porto, Rui Moreira, a favor de uma convergência estratégica entre Espanha e Portugal, a que chamou de “Iberolux“, e que vem defendendo o movimento iberista nos últimos anos.

O autarca afirmou no seu perfil na rede social Twitter o presidente da Câmara de Valladolid, que considerou este o “momento ideal para retomar a ideia”. Para compreender a raiz deste apoio ao Iberolux, O TRAPÉZIO realizou a seguinte entrevista ao autarca vallisoletano.

 

O TRAPÉZIO.- Em que sentido seria útil retomar a ideia do Iberolux de Moreira?

ÓSCAR PUENTE.- Primeiro, devo expressar todo o meu respeito pelo autarca Moreira, a sua liderança é inspiradora. Também quero mostrar o meu afecto por essa maravilhosa cidade que é o Porto, uma cidade marcada no coração das minhas filhas que a visitaram quando tinham apenas 6 e 5 anos e da qual falam mais do que a Disneyland Paris. Também gosto muito do povo irmão de Portugal e que tanto gosta de Espanha. A necessidade de uma união ibérica responde a dois factores chave. O primeiro é a vontade maioritária dos dois povos, que se olham cada vez mais com o propósito de uma aproximação real e benéfica para ambos. Benéfica e possível. Uma oportunidade assim não deve ser desaproveitada. A segunda tem que ver com a ausência de uma Europa que olhe para os povos que a formam como algo mais que uma união de consumidores. É nestes momentos que uma ideia de união ibérica parece mais possível e oportuna que nunca.

 

O TRAPÉZIO.- Que ações deveriam tomar ambos os governos na próxima Cimeira Ibérica?

ÓSCAR PUENTE.- A última Cimeira Ibérica celebrou-se curiosamente em Valladolid. Na Plaza de San Pablo do Palácio Real, onde nasceram os últimos reis que reinaram em simultâneo nos nossos dois países, como tive o privilégio de explicar ao presidente Sánchez e ao primeiro-ministro Costa. Ali percebeu-se que o clima era de absoluta sintonia entre os governos, sintonia que se manteve e que se cobram com mais valor em momentos de dificuldade como estes. Na minha humilde opinião, a próxima Cimeira Ibérica deveria ter na sua agenda forma de colocar estas medidas em acção sem medos nem complexos de fórmulas de confirmação de um Ente Ibérico que aglutine esforços de ambos os países para terem uma única voz em determinados contextos, e que aposte numa rede de infraestructuras que elimine as barreiras, em alguns casos físicas, que continuam a existir entre Espanha e Portugal e que dificulta a aproximação que os nossos povos desejam e que potenciem o conhecimento mútuo das nossas culturas e das nossas línguas por parte dos habitantes de ambos os países. Para mim é apaixonante só de pensar nisso.

 

O TRAPÉZIO.- Que acções devem ser tomadas por municípios como o seu que são simpatizantes desta ideia? Sugere a criação de uma rede?

ÓSCAR PUENTE.- As cidades de hoje são a chave para o foco nas políticas de futuro na humanidade. Recentemente mantivemos um encontro em Paris, patrocinado pela autarca Anne Hidalgo, vários presidentes de municípios europeus, incluindo da minha própria cidade ou o representante de Lisboa. A tecelagem de redes de cidades pode ser o primeiro passo para uma maior aproximação de ambos os Estados. No caso do Porto e de Valladolid, os vínculos de união são tão poderosos que seria imperdoável não tirar proveito deles. O Douro e o seu vinho podem ser vistos como elementos de geminação que podem desempenhar um papel mais importante do que podemos ver neste momento.

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