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O arquitecto Álvaro Siza Vieira recebeu o Prémio Nacional de Arquitectura Espanhol referente ao ano de 2019, que pela primeira vez em 90 anos foi atribuído a um português.

Nesta entrega, que teve que acontecer de forma remota, no Palácio de Zurbano em Madrid, devido a pandemia, Siza Vieira foi reconhecido como «o arquitecto vivo mais importante do nosso tempo» e um «poeta da luz».

A «luz cósmica» tão destacada por aqueles que visitam Portugal pode ser apreciada em algumas das obras mais conhecidas de Álvaro Siza Vieira, como é o caso da Casa de Chá da Boa Nova, Quinta da Malagueira, o pavilhão da Expo 98, a Faculdade de Arquitectura do Porto, ou a Piscina das Marés

Para a artista plástica Eva Lootz, que foi Prémio Nacional das Artes Plásticas em 1994, «somos muito afortunados de celebrar, mesmo que seja a distância, a trajectória de Álvaro Siza Vieira».

Uma carreira extraordinária e sem fronteiras

O Prémio Nacional de Arquitectura espanhol distingue, desde 2001, carreiras extraordinárias e inovadoras na arquitectura e no urbanismo, tem um valor económico de 60 mil euros e é atribuído pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbano.

Este ano ganhou uma maior natureza Ibérica, já que nesta reunião a distância também esteve presente o primeiro-ministro António Costa, o seu homólogo espanhol Pedro Sanchez e o galardoado, que devido a sua idade agradeceu esta distinção na sua casa em Matosinhos.

«É com uma tremenda emoção que agradeço o Prémio Nacional de Arquitectura de Espanha. Este é mais um sinal do reconhecimento que devo a Espanha pelas oportunidades de trabalho, e não só, que desde cedo me deram no meu percurso profissional e pessoal», expressou o arquitecto que entrou em Espanha em 1970 nos pequenos congressos de arquitectura. Foi em Barcelona, junto dos trabalhos de Antoni Gaudí, que deixou de lado a escultura e “abraçou” a essência das coisas na arquitectura.

No país vizinho, Siza Vieira desenhou, entre outros, a Faculdade de Ciências da Comunicação, o Centro Galego de Arte Contemporânea e o Parque de São Domingues de Bonaval em Santiago de Compostela. Aliás, o português, que já ganhou um «Pritzka» (o equivalente ao Nobel da arquitectura), foi escolhido para ser o primeiro profissional não nascido em Espanha a receber esta distinção devido a uma proposta de candidatura apresenta pela Galiza.

A ideia de que a arquitectura não tem fronteiras foi defendida por Iñaqui Carnicero, Director-Geral de Arquitectura e Agenda Urbana, que considera que a conexão entre Espanha e Portugal não é só geográfica e que existe uma maneira semelhante «de entender a arquitectura, o que faz com que possamos falar de uma arquitectura Ibérica».