A casa da lusofonia: riqueza linguística

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Imagine uma corda feita de um único fio. Vamos imaginar novamente uma corda entrançada com vários fios. Obviamente, o último terá muito mais peso do que o anterior. Assim, o axioma “união faz força” é cumprido. Vamos agora passar esse axioma para a realidade linguística. Trezentos milhões de falantes de português não equivalem a novecentos milhões, se somarmos seiscentos milhões de falantes de espanhol.

O conjunto das línguas ibéricas de origem românica atinge cerca de um bilhão de pessoas, que falam ou compreendem este grupo de línguas, situando-nos acima do inglês e apenas abaixo do mandarim. E apesar desta realidade, não tiramos partido deste potencial linguístico no mundo nem nos orgulhamos de sermos herdeiros da História e da Cultura dos dois países ibéricos. Disto podemos extrair efeitos económicos relevantes.

Em Novembro de 2018 apresentei uma pergunta-proposta no Senado espanhol, dirigida ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, na qual aleguei a minha surpresa pela inexistência de uma Casa de Língua Portuguesa, tendo em conta a sociolinguística ibérica. Esta é uma realidade inconcebível considerando a existência de outras Casas como a Árabe, a Mediterrânea, a Americana, a Africana, a Asiática e o Centro Sefardita de Israel.

A resposta a minha pergunta sobre a sua criação, propondo a Galiza como o seu lugar de base, mal mereceu algumas palavras: “de momento não está prevista a construção de uma casa da lusofonia”. Má resposta para um senador orgulhoso da história e do papel cultural dos dois países ibéricos, que em 1494 partilharam o mundo com o Tratado de Tordesilhas.

Se não estou mal informado, o português é actualmente a língua mais falada no hemisfério sul, adoptada como língua oficial em nove países, do Brasil a Timor-Leste, e também é falada na Região Administrativa de Macau, Goa, e em outros locais do mundo. A Unesco declarou o dia 5 de Maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa, ela também foi incluída entre as línguas de uso oficial de várias organizações internacionais.

Quanto ao espanhol, ninguém nega a sua importância no mundo, já que é a língua oficial ou co-oficial em vinte países e significativa em outra meia dúzia, competindo com o hindi pelo terceiro lugar no mundo, depois do mandarim e do inglês. Hoje, mais de 22 milhões de pessoas não nativas que o estão a estudar. Assim nasce uma multiplicidade de potencialidades e valores que derivam do espanhol devido à sua capacidade de estabelecer relações entre sociedades em termos de troca e ajuda.

A oportunidade económica que apresenta um mercado de mil milhões de pessoas não deve ser substimada e a nossa cultura sentimental e histórica seria fortalecida notavelmente. Agora leio que a Diputación de Ourense retoma la idea. O que lhes vou dizer….

Luis Manuel García Mañá

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