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Criado em 1974, pouco mais de quinze dias após a revolução que libertou Portugal de uma ditadura que durou quatro décadas, o PSD é um dos dois maiores partidos nacionais. Com uma ideologia liberal a nível económico e mais conservadora no que gira em torno das questões sociais, a força de centro-direita liderou (sozinho ou em coligação) 11 governos na III República Portuguesa, o que é um número recorde na democracia lusitana.

O último primeiro-ministro “laranja” (como também são chamados “carinhosamente” pela população) foi Pedro Passos Coelho, que apanhou os chamados anos da crise e que foi sucedido pelo socialista António Costa. Desde que passaram para a oposição temos assistido a um período de alguma instabilidade que, somando aos fracos resultados, resultaram em eleições para decidir que será o próximo líder da histórica força política que inspirou alguns dos seus princípios no SPD alemão.

A concorrer ao “trono” dos sociais-democratas estavam Rui Rio (líder em funções), Luís Montenegro (figura próxima ao antigo primeiro-ministro Passos Coelho) e Miguel Pinto Luz (vice-presidente da câmara municipal de Cascais). A primeira volta destas eleições culminou com uma vitória de Rio mas como este não obteve maioria absoluta, ficou a meia ponto da mesma (299 votos), terá que ir novamente a votos.

A segunda volta destas eleições, que se vão realizar no próximo sábado, vai opor duas gerações e dois estilos bem diferentes de se fazer e estar em política. Rio e Luís Montenegro neste momento “lutam” não só pela liderança do PSD mas também pela oportunidade de se sentarem na cadeira de primeiro-ministro no Palácio de São Bento.

Mas quem são os homens que pretendem liderar o partido de Sá Carneiro?

Rui Rio, que ficou pelo trabalho que fez na câmara municipal do Porto foi uma das vozes que se levantou contra a deficiente ligação entre a cidade invicta e Vigo e como estes fracos acessos dificultam uma maior valorização da Eurorregião. Depois da saída do executivo camarário, o próximo passo foi a candidatura a liderança de um partido onde por duas vezes foi vice-presidente (eram então líderes Durão Barroso e Pedro Santana Lopes). Foi contra Santana Lopes que, em 2018, disputou as eleições que o levaram a liderança partido.

Desde que chegou a direcção já passou por eleições locais, europeias e legislativas. Em todas essas teve resultados abaixo do esperado e esta não é a primeira vez que o seu adversário, Luís Montenegro, o tenta afastar do cargo.

Sempre que é acusado pelos fracos resultados ou por uma desunião do partido, o caso mais recente envolve três deputados da Madeira que foram contra as directivas partidárias e abstiveram-se na votação do orçamento de estado, advogado defende que está na política para servir o país e não interesses pessoais ou partidários.

Para alcançar uma nova vitória nas eleições do PSD, Rui Rio tenderá a apostar nos que se abstiveram e nos que votaram em Miguel Pinto Luz, o terceiro classificado da primeira volta e que muito provavelmente poderá ser o fiel que pode fazer com que a balança pese mais para um dos lados.

Mas ainda há Luís Montenegro, o passista que abandonou a Assembleia da República assim que o seu conterrâneo portuense chegou aos destinos do PSD. O presidente do PSD acusou publicamente Montenegro de fazer parte da maçonaria, mais precisamente da Loja Mozart (a segunda maior do país), e de estas eleições não passarem de um golpe dos maçons para tomarem conta do partido.

Ao contrário de um estilo de fazer política mais calmo e que é personalizado por Rui Rio, Luís Montenegro não tem medo de dizer o que pretende e sempre que se apresenta em público não teme dizer que o seu adversário é António Costa e não o actual líder do PSD. Montenegro, que aos 46 anos é uma das jovens caras do partido, já ocupou vários cargos públicos e foi um dos membros da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar da NATO. Mota Amaral ou Maria Luís Albuquerque são algumas das figuras ligadas ao partido que já demonstraram publicamente o seu ao segundo candidato mais votado nas eleições de sábado passado.

 

Andreia Rodrigues é formada em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (ESCS) e é uma apaixonada por todas as formas de comunicação. Contar novas histórias e descobrir novas culturas é algo que move todos os dias.