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Na terça-feira, dia 10 de Novembro, irá acontecer uma reunião com o Secretário-Geral da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e a Cultura (OEI), o senhor Mariano Jabonero Blanco. Conseguimos uma entrevista junto de António Bessa Carvalho, o vice-presidente da Confederação Portuguesa de Colectividades da Cultura e do Desporto (CPCCD) e Pedro Asuar Ortiz, representante da Federação Espanhola de Associações de Folclore (FEAF). O Coordenador-Geral do El Trapézio, Pablo González Velasco, também vai estar presente neste encontro em representação da Plataforma Ibérica.

Da OEI fazem parte os seguintes países: Andorra, Argentina, Bolivia, Brasil, Colombia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Ecuador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Perú, Portugal, Uruguai e Venezuela. Como observadores participam: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor.

Com a inclusão dos países africanos e de Timor, alcança praticamente a totalidade da orbe da iberofonia. Seria muito positivo que estes estados adquirissem a condição de membros de pleno direito.

A OEI iniciou os seus trabalhos em 1957, como uma decisão da III Conferência Ibero-americana de Educação. O objectivo genérico, segundo os seus estatutos, é o de contribuir para o fortalecimento do conhecimento, a compreensão mútua, a integração, a solidariedade e a paz entre os povos Ibero-americanos através da educação, ciência, tecnologia e da cultura. Entre os seus variados objectivos específicos encontra-se a contribuição para a difusão das línguas espanhola e portuguesa e o aperfeiçoamento dos métodos e técnicas de ensino.

O trabalho da OEI, que tem já uma larga trajectória, tem sido muito positivo. Em primeiro lugar, é de valorizar e sublinhar a importância do uso do término “Iberoamérica”. Uma palavra que engloba os países de língua portuguesa ou espanhola na América e na Europa, configurando a linguagem da comunidade de países que compartilham uma história e cultura comuns.

Entre os múltiplos programas e projectos que se vêm desenrolando actualmente destacam-se:

-Luzes para Aprender, que tem como objectivo melhorar a qualidade educativa de mais de 55.000 escolas rurais de difícil acesso na América latina, favorecendo especialmente as popula indígenas, afro-descendentes e em situação de vulnerabilidade.

-Programa de Intercâmbio e Mobilidade Académica (PIMA), uma iniciativa de mobilidade para estudantes entre os diferentes países ibero-americanos

-Projecto de Educação Artística e Cultura (EAyC), que tem como objectivo integrar a acção cultural da OEI aos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável por meio da universalização, fortalecimento e visibilidade da educação artística, incluindo esses conteúdos nos currículos educacionais do Países ibero-americanos. Tudo isto potenciando as competências-chave do século XXI: criatividade, sentido crítico, colaboração e empatia.

-Coro Ibero-Americano de Madrid. O projecto visa a integração cultural dos cidadãos ibero-americanos com base na música e no trabalho em equipe, reunindo pessoas dos países membros da OEI residentes em Madrid.

-Programa de educação e divulgação científica. Os seus objectivos são a geração e a transferência do conhecimento e o fortalecimento de políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Vemos pois que são múltiplas e variadas as actividades, actuações e programas que são desenvolvidos no âmbito Ibero-americano. Na página web da organização (www.oei.es), podem consultar-se estas e outras iniciativas com maior detalhe.

Desde a nossa perspectiva ibérica é especialmente de referir a abertura, no início de 2018, a abertura do escritório da OEI em Lisboa, chefiado pela Dra. Ana Paula Laborinho, que pude entrevistar no verão de 2019. O escritório de Lisboa está a levar a cabo um grande trabalho com a realização de eventos como a Conferência Internacional de Língua Portuguesa e Espanhola, em Novembro de 2019, ou a recente Semana Ibero-americana da Democracia e Cidadania para a Garantia dos Direitos Humanos.

Na próxima terça-feira, quando tivermos a oportunidade de nos encontrar com o Sr. Jabonero, vamos nos concentrar em alguns aspectos:

Intercompreensão das línguas espanhola e portuguesa. É um valor fundamental para o espaço ibero-americano e um elemento fundamental para a consolidação de um espaço ibérico na Educação, Ciência, Cultura e em todos os aspectos geoestratégicos. A IEO assim o considera mas nenhuma acção significativa ainda foi tomada a esse respeito. Acreditamos que uma metodologia e cursos específicos de intercompressão devem ser desenvolvidos.

Promoção da consciência de pertencer a um espaço cultural ibero-americano a partir da educação. A população em geral ainda tem uma percepção fraca da comunidade ibero-americana. Posso testemunhar isso todos os dias no meu trabalho como professor do Ensino Superior em Madrid. Nas minhas aulas existe um percentual significativo de alunos ibero-americanos. Em geral, eles têm o sentimento de pertencimento à comunidade “latina” referida aos países de língua espanhola da América, um sentido realmente chocante do termo latino, mas que foi imposto pela preponderância da visão americana, do que chamamos de ibero-americana. Acreditamos que programas específicos são necessários para promover positivamente a consciência ibero-americana. Uma árdua tarefa que deveria procurar evitar a propagação de ressentimentos históricos contra o processo de colonização das Américas; questão que, infelizmente, é muito actual.

Aproveitar a presidência portuguesa da Europa para reforçar os vínculos Ibero-americanos com todo o continente. A Ibéria é uma ponte entre o mundo iberofono, composto por 800 milhões de pessoas e mais de uma vintena se estados, e a União Europeia. No próximo dia 1 de Janeiro, Portugal assumirá a presidência rotativa da UE nos primeiros seis meses de 2021. Acreditamos ser uma boa ideia ter um encontro em Bruxelas entre os distintos representantes sociais da Iberoamérica, os representantes da UE, onde se pode colocar o valor de todos os vínculos que unem as duas margens do Atlântico.

Promover a inclusão do Folclore e da Cultura Ibero-americana nos programas educacionais dos diferentes países. A FEAF e o CPCCD desenvolvem um intenso trabalho no estudo das manifestações folclóricas. Estão avançando na criação de uma linguagem sistematizada que será uma revolução e uma referência para a actuação e preservação do Folclore. Nesse sentido, vemos a oportunidade na possibilidade de incluir conteúdos desta área de maior valor cultural no sistema educacional.

Pablo Castro Abad