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O relatório da ANP-WWF demonstra que, nas próximas décadas, a Península Ibérica assistirá a uma diminuição dos recursos hídricos devido às alterações climáticas. O futuro descrito, com menos chuva e mais incerteza no caudal dos rios, para a península é sombrio. Até 2050 a perspectiva apresentada não é das melhores, com «menos água no solo, nos rios e nos aquíferos». A falta de água também coloca em risco a fauna regional e no caso da península Ibérica 52% das espécies estão na categoria de risco de extinção.

As ondas de calor prolongadas e o aumento generalizado da temperatura irão levar a uma redução da água disponível na região, especialmente na zona sul. Devido aos baixos níveis de água nas barragens, Barcelona já teve que ser abastecida por barcos-tanques.

«A questão de fundo é uma mudança de paradigma que tem que ver com a gestão do risco. Estamos a utilizar os recursos quase no limite e sempre que chove um bocadinho menos, e não precisa de ser por causa das alterações climáticas, porque sempre tivemos períodos de seca, temos um problema. É preciso perceber que, para gerir determinada água, só podemos usar 50% dela», conta o co-autor deste relatório, Afonso do Ó.

Este relatório também defende uma melhor gestão dos recursos hídricos por parte dos dois países. Uma gestão mais eficiente pode ser a chave essencial para combater a redução da quantidade de água disponível. Outra das medidas apontadas é a definição de uma política de preços associada ao princípio do «poluidor pagador». O ministro do ambiente português, Matos Fernandes, alertou que o preço da água deve reflectir a escassez deste recurso.

Quando falamos da factura mensal da água em Portugal, esta varia de concelho para concelho, mas o preço ronda os 20€. Já em Espanha o custo da água mensal pode variar entre os 30€ e 40€.

De momento esta gestão dos rios é feita através da Convenção de Albufeira.