António Guterres e outros líderes mundiais apostam pela cooperação multilateral para a recuperação global

Após a turbulenta Presidência de Trump, começa um ciclo positivo para o multilateralismo

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Enmanuel Macron, Angela Merkel e Macky Sall, líderes dos Executivos de França, Alemanha e Senegal, junto com o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e Ursula Von Der Leyen, presidenta da Comissão Europeia, assinaram um artigo publicado nos principais jornais do mundo.

O diplomata ibérico António Guterres, que teve que contornar com habilidade o relacionamento “funcional” com uma Casa Branca hostil aos organismos multilaterais em tempos de Trump, agora se mostra optimista junto a outros líderes mundiais em um artigo distribuído por Project Syndicate. António Guterres está a procurar apoios para a sus reeleição, cujo mandato termina no final de 2021.

Reproduzimos a seguir os trechos mais interessantes do artigo Cooperação Multilateral para a Recuperação Global:

“O nosso mundo conheceu desenvolvimentos opostos, levando a um aumento da riqueza global enquanto as desigualdades persistiam ou aumentavam. A democracia ganhou terreno paralelamente a um ressurgimento do nacionalismo e do protecionismo. Nas últimas décadas, duas grandes crises transtornaram as nossas sociedades e enfraqueceram os nossos quadros comuns de ação, suscitando dúvidas sobre a nossa capacidade de superar os choques, lutar contra as suas causas estruturais e assegurar um futuro melhor para as gerações vindouras. Estas crises também nos lembraram o quanto dependemos uns dos outros”. (…)

“Esta pandemia exige uma resposta internacional forte e coordenada para ampliar rapidamente o acesso a testes, tratamentos e vacinas, partindo do princípio que uma ampla cobertura de imunização é um bem público global que deve ser disponibilizado para todos a um preço acessível. A este respeito, apoiamos plenamente o mecanismo global inédito lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e os parceiros do G20 no passado mês de abril para acelerar o acesso às ferramentas de combate à COVID-19 (Acelerador ACT)”. (…)

“Contudo, a urgência é também ambiental. Às vésperas da COP26 em Glasgow, temos de intensificar os nossos esforços para combater as alterações climáticas e tornar as nossas economias mais sustentáveis. No início de 2021, os países responsáveis por mais de 65% das emissões globais terão provavelmente assumido compromissos ambiciosos em matéria de neutralidade de carbono. Todos os governos, empresas, cidades e instituições financeiras devem agora juntar-se à coligação global para alcançar a neutralidade de carbono tal como estabelecido no Acordo de Paris, e começar a agir implementando medidas e programas muito concretos”. (….)

“Está certo que a globalização e a cooperação internacional permitiram a centenas de milhões de pessoas saírem da pobreza, mas ainda hoje, quase metade da população mundial mal consegue suprir as suas necessidades básicas. Em muitos países, o fosso entre ricos e pobres tornou-se insustentável, as mulheres continuam sem ter acesso às mesmas oportunidades que os homens, e muitos precisam de ser tranquilizados quanto aos benefícios da globalização”. (…)

“Devemos zelar para que a recuperação global beneficie a todos. A este respeito, precisamos de aumentar o nosso apoio aos países em desenvolvimento, particularmente em África, com base nas parcerias existentes, tais como o Pacto do G20 com África, ou o seu esforço conjunto com o Clube de Paris no âmbito da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida. É essencial continuar a ajudar estes países a reduzir a carga da dívida e assegurar o financiamento sustentável das suas economias através de toda a gama de instrumentos financeiros internacionais, tais como os Direitos de Saque Especiais ao abrigo do Fundo Monetário Internacional”. (…) 

“O multilateralismo não é meramente uma técnica diplomática entre outras para abordar estas questões. Ele molda uma ordem mundial, uma forma única de organizar as relações internacionais, baseada na cooperação, no Estado de direito, na ação coletiva e nos princípios comuns. Em vez de opormos civilizações e valores uns contra os outros, precisamos de construir um multilateralismo mais inclusivo, respeitando as nossas diferenças e os nossos valores comuns consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem”.

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