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Tal como há cinco anos, no dia em que desceu a pé a rua de São Bento (do lado da Estrela) para ser jurado Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Assembleia da República para iniciar um novo mandato. A tomada de posse aconteceu pouco mais de um mês após as eleições, onde conseguiu o segundo melhor resultado da história da democracia lusa. Ao contrário da cerimónia anterior, que contou com 600 convidados, esta foi diminuída para apenas 100 elementos devido a Covid-19 mas contou com momentos marcantes que foram divididos entre Lisboa e o Porto, onde passou a tarde junto de várias comunidades religiosas.

Após o discurso na Assembleia da República, onde com a mão na Constituição de 1975 (que ajudou a escrever) jurou defender, mais uma vez, os portugueses, afirmando ser o mesmo homem de há cinco anos atrás. “Uma pátria são acima de tudo as pessoas, e nela cada pessoa conta. Diversa, diferente, irrepetível. Portugal são os portugueses”, frisou o jubilado professor de direito.

O grande objectivo do presidente para os próximos cinco anos é o apoio aos mais necessitados, criar melhores condições para que os jovens possam concretizar todos os seus sonhos, controlar os fundos que vão chegar da Europa para que os mesmos sejam bem investidos, vencer a pandemia, reconstruir e restituir a normalidade a vida do país e conter o avanço dos extremismos num país que vive há 47 anos em democracia.

Marcelo também lembrou as várias conquistas alcançadas por Portugal nos últimos anos e que esta vocação lusa para aprofundar relações com outras culturas e criar assim novos portugais baseados na solidariedade. Este ideal fez com que desde há cinco anos o 10 de Junho seja festejado junto das comunidades imigrantes no estrangeiro. Marcelo Rebelo de Sousa terminou o seu discurso relembrando que “o heroísmo deixou de ser coisa de um instante: passou a ser de um ano. Quase interminável, mais difícil, mais estóico, mais valioso”. No dia anterior, em pleno Dia da Mulher, o presidente português condecorou uma médica e uma enfermeira e anunciou que pretende até 2024, ano em que se comemora 50 anos do 25 de Abril, agraciar todos os militares que fizeram parte do golpe de estado que trouxe de volta a democracia ao território lusitano. Após a cerimónia na Assembleia da República, o presidente da república foi ao Mosteiro dos Jerónimos depor coroas de flores nos túmulos de dois dos maiores nomes da história de Portugal, Luís Vaz de Camões e Vasco da Gama.

O segundo mandato vai ser iniciado com duas visitas, a serem realizadas ainda esta semana, a Espanha e ao Vaticano, a primeira nação a reconhecer a independência portuguesa em 1143.