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Com o início da descarbonização já em curso, muitas infra-estruturas terão que ser alvo de uma readaptação para que possam continuar a laborar, como é o caso da refinaria de Sines.

O projecto que passa por aqui é o «Plano Nacional de Hidrogénio», a mais ambiciosa proposta apresentada pelo governo de António Costa e que vai usufruir de um financiamento de milhões de euros e que parcialmente serão subsidiados por subsídios europeus (da chamada «bazuca» monetária), que pretende dotar o país de uma nova indústria de energia verde.

Portugal é o terceiro estado europeu que mais usa energias renováveis, já Espanha está no oitavo lugar desta lista. Os dois países ibéricos têm um ambicioso plano para criar energia eléctrica alternativa (sem usar o carvão ou o nuclear) nos próximos 10 anos, com uma potência instalada de 12 GW e 57 GW, respectivamente.

O Plano Nacional de Hidrogénio verde pode contribuir para o armazenamento de energia e tem sido pouco falado em público.

Das mais de 60 candidaturas apresentadas para fazerem parte deste plano, apenas 33 foram ouvidas pelo governo. O mesmo executivo que agora chega aos jornais por dois dos seus membros estarem a ser investigados pelo Ministério Público por, alegadamente, terem favorecido grupos empresariais num concurso já fechado.

Este processo, que começou há um ano devido a uma queixa e esta em segredo de justiça refere crimes económicos de tráfico de influências e de corrupção que envolve o consórcio EDP/Galp/REN e uma empresa dinamarquesa no projecto que está para arrancar em Sines.

Ainda sem arguidos, os nomes do secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba e do ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, viram os seus nomes envolvidos na investigação que já chegou aos meios de comunicação. O ministro entretanto já anunciou que vai avançar com uma queixa por difamação por ver o seu nome indevidamente associado a este processo do Ministério Público.

Isto acontece no mesmo dia em que anunciou um apoio de 1500 milhões de euros a fundo perdido e a criação de uma nova linha de crédito para apoiar cerca de 100 mil empresas que estão a ser fortemente penalizadas pela segunda vaga da pandemia em Portugal.